Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

De quem é a culpa?

vergonha literária


Por Equipe Literatura Fantástica Brasileira.

As últimas publicações se referiram diretamente ao degradante comportamento adotado por "autores" de certos gêneros literários, como a literatura hot e a chick lit, para promoverem seus trabalhos.

Óbvio que não vamos defender quem age de forma medíocre, muito menos tripudiar sobre quem trabalha dentro desses gêneros, até mesmo porque cada um escreve sobre o que quer ou sobre o que sua capacidade lhe permite.

Hoje abordaremos uma questão bem mais abrangente: de quem é a culpa por essa situação lamentável em que se encontra a literatura brasileira?

Difícil apontar um único culpado, mas vamos distribuir a culpa de forma equitativa.

Quem consome o que é produzido dentro do meio literário, qual o alvo das editoras?

O leitor.

Então, se ele se contenta em consumir obras pobres, que pouco acrescentam, quem pode julgá-lo? Será estabelecida uma ditadura que então estipulará o que dele ou não ser lido? 

(A ideia não é má, mas não).

O leitor ganha seu dinheiro, e o utiliza para comprar o que quiser, ele utiliza sua renda para consumir o que quiser: pizza, cocaína, sabonete, vaselina, livro ruim ou o que lhe der vontade.

Chega-se então à outra questão: o consumo, consumir literatura.

Quem são as maiores interessadas no consumo literário?

As editoras.

Para elas é muito cômodo assinar contrato com um autor que já possui público cativo, sem a necessidade de trabalhar sua imagem, economizando gastos, cujos trabalhos serão instantaneamente consumidos (leia-se vendidos) assim que forem lançados.

Editoras não são entidades filantrópicas, elas não estão preocupadas em levar cultura ao povo, como empresas capitalistas elas almejam os lucros, pura e simplesmente. Pouco lhes importa se aquilo que é vendido, consumido pelos leitores, possui ou não qualidade. O importante é vender, e se para vender o autor se sujeita a usar lingerie, colocar lente de contato ou seja lá o que for, isso pouco lhes importa.

Muitas editoras novas, por maior que seja sua ideologia de investir em novos autores, ao perceberem como funciona o mercado literário acabam se igualando a todas as outras que já existiam: dão preferência aos autores que já possuem o marketing pronto.

A DarkSide Books é um exemplo disso.

Esbravejou-se aos quatro ventos que ela investiria em novos autores, mas no final acaba publicando mais do mesmo, com exceção de um autor ou outro que até então realmente era desconhecido.

Vamos culpá-la por agir assim?

Não, pois essa é a realidade do mercado, ou ela age assim ou fecha as portas, é assim que funciona.

Muitas vezes julgamos autores que abertamente declararam estarem se aposentando, deixando de lado a escrita para se dedicarem a outras atividades, dizendo estarem virando a cara para a literatura, para os leitores e etc.

Mas também não dá para julgá-los.

Por maior que seja seu amor pela literatura autores possuem contas para pagar, filhos para sustentar,  cachorrinho para tosar, carro para tunar, etc e se o meio literário não lhe proporciona condições de seguir com a vida o mais correto é abraçar algo que lhes proporcione isso. 

Resumindo: não dá pra eleger um único culpado.

O autor se sujeita e atitudes depreciativas para promover seus livros, se obtiver sucesso, permanece no mercado até que nasça outro "gênero da moda" que lhes roube o público. Aqueles que tentam manter um trabalho mais sóbrio, se não caem nas graças de alguma editora ou do público, partem para outras atividades e relegam a literatura para um segundo plano.

Leitores consomem lixo literário, seja devido ao marketing realizado ou gosto próprio, são livres para ler o que quiserem e assim o fazem baseando-se na sua vivência e em seus interesses. Diante do patamar cultural em que o povo brasileiro se encontra o que será lido? Érico Veríssimo? Machado de Assis?

Editoras publicam livros ruins, mas que vendem. Como o lucro é a única coisa que lhes importa elas lavam as mãos e enchem os bolsos.

É tudo um círculo vicioso, onde só se almeja o lucro, o status e não a qualidade.

Quem perde, no final, não é aquele autor "engavetado" pelas editoras, que de uma forma ou de outra consegue ser lido (se ainda estiver escrevendo), não é o leitor de bom senso, que se interessa por obras de qualidade e vai atrás do que realmente vale a pena ser lido, mas sim a cultura em geral, o Brasil, que fomenta uma legião de leitores acéfalos com essa situação toda.

Dinheiro não é tudo, é 100%, mas a cultura, o conhecimento, esses são eternos.

Entre em contato: litfanbr@gmail.com

Litfanbr

3 comentários:

  1. A culpa acaba sendo dos próprios leitores que adoram consumir merda.
    A editora dá o que os leitores querem, se é merda o que gostam de ler é merda que eles terão.

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  2. O chamado consumo do "lixo literário" acontece por ser publicado por pessoas públicas, com legiões de fãs. Ninguém espera um livro de conteúdo de um youtuber, pelo contrário, se espera um livro de entretenimento. E o autor que não sabe lidar com isso, no mínimo, deve ter a dignidade de aceitar o fato de que os youtubers não vendem qualidade, eles vendem sua própria imagem. Quem compra, compra por ser fã. Apenas. E suas críticas, não vai fazer cocegas nas vendas deles. Então, sem choro!

    O mercado brasileiro está em queda? Oh, God! Sempre esteve, nunca foi fácil publicar um livro por editora, seja qual for. Editoras com exigências gritantes, excluindo jovens autores e se negando a publicar amadores sempre existiram, não vejo isso como um problema gerado por novos gêneros. A tendência é que o mercado mude ano após ano e o autor que tem seus objetivos deve se adaptar.

    Esbravejar aos quatro cantos das suas rede sociais que literatura de entretenimento é lixo, pode ser um problema, um problema que irá reduzir seus números de leitores. Primeiro, ninguém lê um único gênero. Segundo, se o seu leitor, por acaso, vier a ler literatura de entretenimento, com que olhos e ele irá ver quem está classificando literatura sem conteúdo e quem a lê como lixo? Pior que isso, com que olhos ele irá ver quem quer controlar seu dinheiro? Cuidado, linguinhas afiadas, já vi autores serem engolidos pelo seus próprios leitores!

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  3. Finalmente uma postagem que vale a pena comentar.

    As crises existenciais de muitos autores acabaria logo que entendessem que, Mercado Literário não necessariamente quer dizer Literatura.

    O mercado literário nacional normalmente segue a maré, cujas ondas quase sempre vêm de fora. Livros (bons ou não) que fazem sucesso no exterior e também no Brasil, dão um sinal acerca de qual é o tema da vez.
    Os autores que trabalham no Mercado Literário se apressam em copiar as fórmulas bem sucedidas comercialmente para tentar colher algumas migalhas antes que a onda quebre.

    ISSO NÃO É LITERATURA BRASILEIRA, LOGO, NÃO TEM QUALQUER COMPROMISSO COM A QUALIDADE!

    Autores que investem em qualidade, trabalham em função das obras e fazem a verdadeira literatura no underground, precisam entender que o mercado está cagando para o que eles escrevem ou pensam.
    Ou vocês fazem uma coisa, ou fazem outra. Não dá para matar dois coelhos com esse cajado.

    E sei até de caso de autor que escrevia em um determinado gênero, mas passou a investir em Chick-lit. E reconheço que é preciso muita coragem pra fazer isso, afinal de contas, o $$$ganho$$$ pode nem valer apena, pois apesar de tudo, estamos no Brasil.

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