Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Mercado Editorial: A Realidade.


Literatura Fantástica Brasileira

Por Gian Felipe (gianfnix@yahoo.com.br)

Publicar um livro. 

Um sonho que muitos possuem, mas poucos realmente chegam a concretizar. Seja por no meio do processo de escrita descobrir que a literatura não era bem o que gostaria para a sua vida, dado a dificuldade de elaborar uma boa história e este ser um ofício solitário, ou mesmo por achar que não é bom o bastante para expor sua criação aos leitores, mesmo com a obra terminada. Mas para aqueles que confiam que fizeram o melhor que podiam pela trama que conceberam, não há hesitação em publicar seu livro, mas sim uma ânsia por encontrar quem lhes dê a mão e leve sua obra ao conhecimento dos leitores.

Por estar cego pelo seu sonho, não procura se informar a respeito do mercado editorial brasileiro e aceita sem cogitação a primeira proposta que surge em seu caminho, caindo em embustes que lhe endividarão por meses, ou anos, e os deixarão com centenas de exemplares de seu livro encalhados em casa. Ou senão enviam para as grandes editoras e ficam na espera de ser chamado por uma delas, confiando que sempre haverá uma oportunidade para novos talentos.

Para evitar que os jovens autores caiam em engodos que transformarão seus sonhos em pesadelos, ou passem a vida esperando que uma casa editorial renomada os chame, lhes apresento de forma crítica uma análise  dos seis caminhos que eles possuem para publicar seus textos: publicação por coletânea de contos, publicação por editoras prestadoras de serviços, por editoras tradicionais, publicação independente, por meio de concursos e agentes literários. 

A avaliação de cada meio de publicação foi feita após estudo pessoal a respeito do mercado atual, portanto me responsabilizo por toda a informação aqui contida. Os administradores do Litfan estão livres de qualquer responsabilidade dessa avaliação. Sendo o blog  somente um meio de divulgação do meu estudo.

Publicação por compilação de contos conhecido mais como antologia.

Esta forma de publicação visa lançar novos autores de uma só vez, a fim de trazer ao conhecimento do leitor, de um gênero específico, trabalhos que possam lhe agradar e o instigue a procurar saber mais sobre o autor da história que mais gostou. Além disso, os autores ao promoverem o seu conto para seus amigos e familiares, acabam divulgando o trabalho dos demais colegas escritores. É uma forma bacana de promover novos autores nacionais se  for feito de maneira séria pelas editoras que promovem tais obras.

Como livros dessa natureza costumam serem lançados por editoras de pequeno e médio porte, geralmente é cobrado um valor alto de cada participante com o intuito de custear a impressão e divulgação da antologia. Uma divulgação que  em muitos casos se limita a por o livro a venda no site da editora, e olhe lá, às vezes nem isso é feito. Também não há divulgação em feiras literárias, escolas e outros espaços com maior recepção ao trabalho dos novos autores. A impressão do volume só acontece para enviar aos escritores o número de exemplares estipulado para divulgarem a antologia em seu meio e era isso. Na prática não há para os autores nenhum benefício para as carreira deles. Por mais amigos e familiares que possuam, com certeza nenhum deles possui influência no meio literário para levar a antologia a patamares mais altos, e tampouco todos comprarão o livro. Tudo que o autor fez foi jogar dinheiro fora. Sua carreira permanece na mesma.

Já as grandes editoras não publicam antologias nacionais  por elas não venderem. Seu público leitor está habituado a ler autores de fora, e assim desejam que permaneça para garantir lucro nas vendas. Há exceções quando os autores daqui deram um jeito de ficarem famosos. Por exemplo, se um grupo de autores possui uma compilação de contos e apresenta o trabalho no Jô Soares, pode ter certeza que uma das grandes casas editoriais irá entrar em contato com eles. Tenham eles uma editora ou não. Fora disso, esqueça, enviar contos para eventuais antologias numa grande editora é pura perda de tempo.

Por tudo que foi dito, penso que a antologia é um caminho válido apenas quando a editora que promove esta publicação tem como provar que suas antologias são de fato trabalhadas para chegar ao público e possuem alguma relevância entre os leitores.  Por isso se informe antes de ir participando da primeira compilação de contos que encontrar. Ou chegar até você.

Publicação por editoras prestadoras de serviços.

São editoras que cobram para publicar o livro de um escritor. Muitas vezes os valores ficam entre 5 e 15 mil reais por obra. Um valor que serve para  cobrir a impressão de um número “x” de exemplares que serão remetidos ao escritor para que ele divulgue seu trabalho, de serviços editorais profissionais (capa, revisão ortográfica e gramatical, diagramação de conteúdo, etc) e divulgação da obra em outras plataformas além do próprio site da prestadora de serviço. Publicar desta forma pode ser um meio eficiente de dar ao trabalho do autor iniciante um tratamento profissional e uma divulgação mais ampla para seu livro. Isso se a editora for honesta, estiver mesmo interessada no desenvolvimento da carreira do escritor.

Há  editoras, no entanto, que  não estão interessadas em vender  a ideia do autor e nem em consolidar o nome dele, apenas desejam oferecer serviços editoriais e lucrar com isso. Tudo estaria certo, se elas deixassem claro o seu papel, e  não usassem de palavras bonitas para iludir o autor com sucesso e reconhecimento. Como  se essas coisas fossem fáceis de conseguir, bastando apenas que publiquem por ela.

Pior ainda é quando essas editoras não cumprem os serviços contratados com eficiência. 

Acontece casos onde os autores sequer chegam a receber os volumes impressos, e outros em que quando chegam, estão com a capa descolando, páginas em branco, numeração de página irregular, e outras falhas graves. Também não há garantia de que a editora esteja mesmo comercializando as obras dos escritores que a contratara, imprimindo apenas os exemplares que são enviados para eles.

Parte do trunfo das grandes editoras é a distribuição dos livros, que chegam a diversos pontos físicos de venda espalhados pelo Brasil: livrarias, mercados, bancas de jornais, entre outros pontos. Editoras prestadoras de serviços desonestas não mencionam nenhum outro lugar de venda, fora o site dela mesma e seus parceiros online. A promessa feita por elas de inserir o autor no mercado editorial cai por terra só por conta disso. É sabido que por um livro à venda em vários sites não basta para que ele seja conhecido, é preciso divulgar no mundo real também. Sem isso os leitores não vão conhecer a obra e muito menos adquirir ela.

Antes de assinar contrato com qualquer prestadora de serviços, o escritor deve buscar referências a respeito dos serviços prestados da editora. Entrar em contato com os autores que já publicaram por ela  e perguntar como foram tratados. E se trabalhar com ela o fez alguma diferença real  na carreira deles.

Publicação tradicional.

Nesta forma de publicação o autor não tem custo algum. Basta enviar seu livro para uma das grandes casas editoriais que comercializam a linha que ele escreve, e terá o original avaliado e se for interessante e bem escrito, é  publicado. Então a editora investe na promoção do livro e da pessoa do autor na esperança de que ele se firme diante dos leitores e venda bem seu trabalho. Esse seria o ideal, mas não é assim que acontece. Por melhor qualidade que tenha o trabalho de um escritor nacional, se ele for desconhecido, não será chamado pela editora. Jamais. Não interessa se é um gênio da literatura.

O editor atual não procura mais novos talentos. Apenas publica o que vende lá fora. Ou o que terá êxito nas vendas, caso seja um escritor daqui. Neste último caso, a publicação acontece se ele tiver uma base de leitores ampla. Eduardo Sphor, autor do best-seller Batalha do Apocalipse, é um ótimo exemplo de como a coisa funciona. Antes de assinar contrato com a Versus ,um selo da Editora Record, ele vendeu de forma independente algo em torno de 5 mil livros. Um feito e tanto, considerando que mesmo para uma editora grande vender uma tiragem de 3 mil exemplares  de um título nacional é difícil. O livro é visto como um produto, e como tal, tem que vender bem para recuperar o investimento feito e gerar algum lucro. Por isso apostar em escritores brasileiros sem expressão alguma é o mesmo que rasgar dinheiro  para as grande editoras.

Não recomendo que você procure a publicação tradicional se você não for uma pessoa famosa, não ter o apoio de alguém influente dentro ou fora da editora escolhida, ou não ter milhares de leitores dispostos a comprar seu livro.

Concursos literários.

Uma editora, grupo de pessoas, ou uma instituição qualquer com algum interesse na literatura promove um concurso onde os autores enviam seus textos para avaliação. Os textos mais relevantes ao ver dos jurados são publicados numa compilação de contos, crônicas ou poemas. 

Pode haver também a publicação de livros inteiros. Estes concursos podem  ter inscrições gratuitas ou pagas. Depende do porte do evento. Muitos jovens autores acreditam que ao ganhar um ou mais desses concursos terá destaque em sua carreira. Não é bem assim, infelizmente.

Parte desses concursos  são meros caça niqueis, seja pela cobrança de inscrição ou por serem apenas uma estratégia de mercado disfarçada por parte de editoras prestadores de serviços que utilizam estes concursos para recrutar autores que querem ser publicados e se dispõem a pagar por isso.

Mesmo aqueles que são sérios, não vão acrescentar muita coisa à carreira do autor. Esse tipo de publicação não o fará alcançar um número significativo de leitores. E se decidir encarar esse tipo de estratégia, terá gastos. Como custos de impressão, encadernação, correio. Dependendo de onde você morar, os custos podem chegar a R$100,00, se decidir enviar pelo SEDEX.

Por isso não vejo utilidade nesses concursos para o jovem autor. Porém se ainda assim desejar participar de um, opte pelos que não cobram taxa de inscrição. O custo para o envio do material já será caro o bastante.

Agente literário.

É um profissional que avalia o trabalho do autor e se ele tiver potencial busca encontrar uma editora tradicional para ele ser publicado. Antes, porém, o auxilia no aprimoramento do texto, a fim de aumentar suas chances. Se estivéssemos nos Estados Unidos, onde o mercado é bem mais receptivo aos novos autores, e é mais respeitoso com seus escritores também, poderia ser eficiente contratar um profissional assim. Aqui no Brasil a história é outra.

Boa parte dos agentes daqui aceitam representar tudo que lhes aparece, com o intuito de tirar o dinheiro dos jovens autores de outras formas: cobrando pela leitura dos originais, propondo autopublicação e consequentemente consultoria textual, entre outras coisas. Em nenhum momento deixa claro que ele vá de fato representar o escritor com argumentos sólidos junto a boas editoras. Não que isso vá fazer alguma diferença, tendo em vista os critérios utilizados pelos editores na seleção dos autores nacionais. Portanto, esqueça os agentes literários, ou vai só gastar dinheiro.

Publicação independente.

Publicação independente está à margem do mercado editorial, praticamente é um mercado paralelo. Neste meio de publicação o autor atua por conta própria. Pode ou não colocar à venda suas criações. Pode ou não disponibilizar seus textos no formato físico, podendo optar pelo e-book. Pode ou não contratar serviços editoriais de capa, revisão, diagramação, e etc. Pode ou não expandir sua atuação além do nicho que lhe interessa. Tudo cabe ao escritor decidir. Costuma divulgar seus textos através de um blog/site pessoal, ou em blog/site de terceiros. 

Também uso muito as redes sociais mais badaladas, e algumas plataformas voltadas para escritores e leitores. E segue assim até ver o que vai dar. Recomendo que busque esse caminho se deseja construir uma base de leitores para seu livro. Ou livros, contos, poemas. Se conseguir um número alto de admiradores  interessados no seus textos, daí sim valerá a pena recorrer à publicação tradicional, ou até mesmo a publicação por editoras prestadoras de serviços (sérias). Mas é provável que depois de conquistado um número grande de admiradores, você nem vai se interessar mais pelas outras formas de publicação. Pois conseguindo vender bem suas obras de maneira independente, o lucro será quase todo seu. Eduardo Sphor preferiu ir para a Versus. Contudo, é como falei, cabe o autor decidir o que é melhor para si.

Porém uma coisa é certa: sendo um autor independente seus custos podem ser mínimos e o risco de se frustrar com o mercado editorial é quase nulo,  já que estará fora do sistema.

Logo abaixo encontra-se sites que podem ser bem úteis para o autor independente:


Possibilita a publicação do livro sem custo algum. Mas apenas o coloca à venda e é impresso quando há compra do volume. Se desejar serviços editoriais profissionais, de capa, diagramação, revisão, entre outros, o próprio site oferece este recurso por meio da plataforma Profissionais do Livro. Não há pacotes, pode se adquirir um serviço por vez se o escritor desejar. A divulgação do livro é toda por conta do escritor.


Também possibilita a publicação do livro sem custo algum. Mas põe à venda somente se ele tiver ISBN. É uma plataforma interativa onde os trabalhos do autor podem ser lidos e comentados. A interação pode ser feita independente do livro estar ou não à venda. Possui atualmente mais de 10 mil membros.


Site voltado para leitura através de celulares, tablets e computadores. O conteúdo  exposto não pode ser vendido, mas nada impede que o autor disponibilize apenas parte de seu romance, contos, poemas, ou qualquer outro tipo de conteúdo. Os textos postados nesta plataforma podem ser lidos e comentados tanto por brasileiros quanto por estrangeiros. Neste último caso, é preciso disponibilizar o contudo em inglês. A abrangência da plataforma é mundial.


Semelhante  ao Wattpad no que se refere à leitura e interatividade, porém, seu porte é menor. Mas possui o diferencial de que, se quiser, o leitor pode enviar uma doação monetária ao escritor. É uma forma interessante para ser lido.


Sendo a rede social mais famosa do planeta, é interessante manter uma página dedicado aos textos do autor aqui. Também pode ser eficaz divulgar o seu trabalho em comunidades voltadas para a literatura. Existem muitas delas.


Ter um blog pode ser uma maneira eficaz de construir um público leitor. O blogspot é uma plataforma conhecida e por ser do Google ganha relevância em seus mecanismos de busca. Não há custo algum para por o blog no ar.


Site voltado para divulgação de Fanfics. São histórias que utilizam personagens e/ou cenários de animes, mangás, doramas, livros, filmes, seriados, e games. Uma maneira bacana de homenagear suas histórias favoritas e praticar a escrita. Também é possível postar criações originais. Muito movimentado, pode ser uma vitrine interessante para os autores independentes.


Semelhante ao SocialSpirit, todavia, muito mais popular.


Site com acesso diário razoável onde o jovem autor poderá publicar textos dos mais diversos gêneros. Sendo lido e comentado, caso agrade.


Semelhante ao site acima, porém  muito mais popular e acessado.


É uma rede social colaborativa brasileira para leitores. É um ponto de encontro para leitores e novos escritores, que trocam sugestões de leitura. Cresce a cada dia o número dos membros, portanto, pode ser um veículo de divulgação muito bom para as criações dos novos autores.


Entre em contato: litfanbr@gmail.com


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