Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Uma jornada literária.


Por Chutenacara.com.br.

Os hábitos mudam com o passar dos tempos e em relação à literatura isso não seria diferente.



Antigamente os grandes nomes da literatura nacional atendiam por nomes como Machado de Assis, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Jorge Amado, Érico Veríssimo e etc.

Com sua linguagem mais rebuscada eles eram lidos e analisados por pessoas com um nível cultural mais elevado e que tinham acesso às suas obras (que não eram tão baratas). Os livros possuíam acabamentos primorosos, com capas estilizadas, bem feitas, duradouras. O papel possuía melhor qualidade, o que resultava em um valor mais elevado.

Com o passar dos tempos novos nomes surgiram, com uma linguagem não tão rebuscada, como Paulo Coelho, cujo teor de suas obras em muitos casos chega a beirar a famigerada auto-ajuda. O valor de seus livros já não era tão elevado e com isso eles atingiam um número maior de leitores, que não precisavam ser muito letrados para compreenderem as mensagens que ele passava. Para baratear as edições esqueceu-se as belas capas duras de outrora, não tão duráveis e a qualidade do papel já não era como antes, mas o importante era que pudessem levar as mensagens do autor, não tratavam-se de obras colecionáveis, mas sim, consumíveis.

Mais recentemente, cansados de terem suas obras ignoradas pelas editoras, alguns autores como André Vianco enfiaram a mão no bolso e bancaram a publicação daquilo que criaram. Usando um linguajar mais popular, com temas encantadores ao público jovem como os vampiros, alcançaram o sucesso e, consequentemente, foram recebidos de braços abertos pelas editoras.

Vianco talvez tenha sido o divisor de águas na literatura, mas para pior.

Se os deuses da literatura fossem capazes de profetizar o que estava por vir, graças à ele, certamente o teriam matado no útero da mãe.

Reconhecendo a estratégia de sucesso adotada por Vianco qualquer um que tinha uma ideia na cabeça se achou capaz de escrever livros e ter sucesso com eles. Muita gente partiu para a auto-publicação.

Surgiu então um mercado novo, ainda pouco explorado, onde várias editoras passaram a trabalhar exclusivamente com esses autores, oferecendo-lhes as famigeradas "publicações sob demanda". Nesse sistema o autor entraria com boa parte do capital para a publicação do seu trabalho e a editora se encarregaria do marketing e da publicação do mesmo.

A ideia teria tudo para dar certo, com parcerias de sucesso, mas sempre surge algo para avacalhar com o que parece bom. Editores gananciosos passaram a ver esse sistema como uma ótima fonte de dinheiro, visando somente o próprio lucro, sem preocupação com a qualidade do que era lançado no mercado, e pior, não desempenhando o papel que lhes cabia: orientação ao autor, marketing da obra lançada e distribuição dos exemplares nas livrarias.

Começaram a cobrar valores elevados desses autores, elogiavam incansavelmente suas obras, sem prestar o serviço combinado. Não agiam como editoras, mas sim como gráficas.

Surgiu então um novo problema: como esse autor, com pilhas de seus livros amontoados em um canto, poderia vendê-los sem o suporte que lhe fora prometido? Cada um criou estratégias de marketing próprias para se livrar de todo aquele monte de papel, estratégias essas que acabaram convergindo para o mesmo caminho: o marketing ilusório.

Se as obras desse autor possuíssem boa qualidade literária cedo ou tarde cairiam no gosto do público e ele poderia, enfim, assinar um contrato com uma editora séria e de renome conseguindo assim o seu lugar ao sol, como ocorreu com Vianco.

Mas por que isso não acontece?

Porque aquele editor ganancioso, que visava apenas o dinheiro do autor desesperado por ter um livro em mãos, não se atentou à qualidade daquilo que estava por publicar. Recebeu o valor acordado em contrato, colocou a obra no site da sua editora alegando estar assim fazendo o marketing e simplesmente jogou os livros no colo do autor para que ele desse conta de vendê-los.

Para conseguir isso ele, o autor, então apela para os famosos blogueiros resenhistas: presenteia-os com seu livro e pede para que criem matérias elogiosas sobre ele.

Em seguida esse autor faz "amizade" com uma dúzia de autores que estão no mesmo barco que ele, para que assim possam mutuamente divulgar seus livros, enchendo de propaganda elogiosa as redes sociais, publicando matérias em seus respectivos blog´s e abarrotando as caixas de e-mail de pessoas que sequer sabem da existência deles.

Frases de efeito como "um livro surpreendente", "uma abordagem do tema tal como jamais se viu", "o próximo grande sucesso da literatura brasileira" e coisas semelhantes são instrumentos para atrair a atenção desses possíveis leitores.

E, se não bastasse o valor nada irrisório já investido, embolsado pelo editor caça-niqueis, fazem marcadores de página, chaveiros, camisetas, canetas e toda a sorte de apetrechos para presentearem quem adquirir a excelente obra que escreveu.

É como se dissessem "leia meu livro, ele é uma merda, mas você ganha uma camiseta", pelo menos é a visão que eu tenho.

Se um livro é realmente bom não há necessidade de outros incentivos para que ele seja lido e já teria sido publicado por uma editora de maior relevância.

O livro é ruim, quando não péssimo, mas por que o editor sanguessuga diria isso ao autor novato? Para perder a oportunidade de lucrar os tantos mil reais contratuais? Claro que não, se o livro é bom ou não isso é um problema do autor que terá que vendê-lo depois, o papel do editor (pode-se ler gráfico) é o de dar "vida" ao livro, não o de vendê-lo.

Diante de tantos problemas, mas com as enganosas estratégias de marketing que utilizou, o autor enganado lá no início da sua jornada literária, pelo editor ganancioso, talvez consiga dar fim àquele amontoado de livros que estão atrapalhando dentro de casa.

O leitor, ludibriado por todo esse marketing, provavelmente lerá o livro uma única vez (se tiver estomago para chegar ao seu final) e, traumatizado diante do desperdício de dinheiro, dificilmente voltará seus olhos para outro escritor que não esteja na grande mídia.

Tudo isso poderia ter sido evitado caso o editor tivesse agido de forma profissional, desempenhando de forma correta, honesta e decente sua função: orientação, revisão, marketing e distribuição. Entretanto, o autor sonhador manteve contato com um aproveitador sacana, lá no início da sua natimorta carreira, que via nada além de cifrões.

"Não cara, não dá pra publicar isso."

Doeria? Sim. Deixaria o autor novato puto? Sim. Mas seria mais decente e honesto.

O importante é que no final todos saíram ganhando: o editor ganhou dinheiro, o autor idem, menos o leitor, que agora tem em sua prateleira uma obra que provavelmente deseja jamais ter adquirido.

Entre em contato: litfanbr@gmail.com

4 comentários:

  1. O Chutenacara sempre aborda as questões certas de modo errado.
    "Se um livro é realmente bom não há necessidade de outros incentivos para que ele seja lido e já teria sido publicado por uma editora de maior relevância." - como assim, cara? Como você acha que uma boa literatura é descoberta? O pessoal que lê os originais estão com as gigantescas pilhas que recebem e uma luz divina bate sobre aquele trabalho lá do meio, seguido de um coro celeste? Ou então o dono de uma grande editora está numa feira de livros alternativos e aquele, apenas AQUELE, livro especial é carregado pelo vento até a cara dele?
    Eu escrevi um livro e tenho certeza da qualidade dele, mas como vou te convencer a lê-lo? Esperar de braços cruzados que um dia você tenha um insight divino e o compre, preterindo todos os outros milhares de concorrentes? Isso talvez exista no mundo das ideias platônicas, não no nosso. Você terá que conhecê-lo de algum modo e eu terei que convencer alguém a ler meu livro para que comente e de alguma forma a resenha chegue até ti e te interesse. Tem que haver o marketing, não há outra forma.

    É verdade, infelizmente a forma de marketing tem sido bastante heterodoxa, mas o que podemos fazer? Essa geração viu um Paulo Coelho, escritor de talento duvidoso, começar a vender seus livros se apresentando como mago, que fazia chover, que fazia ventar, que se comunicava por telepatia com os discípulos, que escreveu as músicas do Raul Seixas e etc. O pior: deu certo. Hoje ele nem precisa mais dizer essas coisas. Todos o conhecem e tem uma opinião formada sobre ele, mesmo os que nunca leram nada dele. Se hoje temos tantos escritores "estrelinhas" é porque têm esse triste referencial.
    O próprio Draccon falou outra vez que, para ser selecionado no selo Fantasy, o candidato tem que ter uma história de vida envolvente, tem que ser uma personalidade interessante, senão não vende. É triste, mas é a verdade.
    E aí vem aquela história: se o fulano se vestiu de vampiro numa bienal e vendeu todos os livros e assinou contrato com grande editora, ele tem visão e iniciativa. Se não vendeu quase nada, é um ridículo que não se enxerga.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho que esse trecho responde às suas afirmações do primeiro parágrafo:

      Se as obras desse autor possuíssem boa qualidade literária cedo ou tarde cairiam no gosto do público e ele poderia, enfim, assinar um contrato com uma editora séria e de renome conseguindo assim o seu lugar ao sol, como ocorreu com Vianco.

      Quanto ao que você disse sobre o Draccon: "O próprio Draccon falou outra vez que, para ser selecionado no selo Fantasy, o candidato tem que ter uma história de vida envolvente, tem que ser uma personalidade interessante, senão não vende."

      Só posso considerar como um desmotivação para todo aquele que pretende publicar um livro. Uma simples professora, ou um bibliotecário, com suas vidas pacatas e longe de serem emocionantes estão fadados ao fracasso literário?
      Talvez eles devam ser putas, como a Bruna Surfistinha, com uma vida "emocionante" e "interessante" para que o público se interesse pelo que escrevem.

      Apenas a efeito de comparação: que interesse tinha o público na vida de Machado de Assis, por exemplo?

      Draccon, o escritor fake, usa esse exemplo claramente se referindo à Paulo Coelho, que é uma exceção no mundo literário.

      E, para mim, o escritor que se vestiu de vampiro em uma bienal para promover seus livros é ridículo, tenha ele vendido seus livros ou não.

      Excluir
  2. De uma forma geral, achei o texto muito bacana, e toca em pontos importantes. Porém, a frase "Se um livro é realmente bom não há necessidade de outros incentivos para que ele seja lido e já teria sido publicado por uma editora de maior relevância" me deixou com um pé atrás.
    Até mesmo porque, é fato conhecido que muitas vezes as grandes editoras não estão em busca de talentos inéditos, mas sim, de versões nacionais de sucessos do exterior - ou seja, o novo 50 Tons ou Divergente nacional, então...

    ResponderExcluir
  3. Os camelôs da literatura? http://www.observatoriodaimprensa.com.br./news/view/_ed816_os_camelos_da_literatura

    ResponderExcluir

Pode chorar...