Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Proposta indecente.


Por Chutenacara.com.br

Logo de início farei duas afirmações que com o passar do tempo se firmam cada vez mais como uma triste, a até revoltante, realidade:

1 - Existem fatos que se não vermos com os próprios olhos dificilmente tomamos por verdade.

2 – Quando penso já ter visto de tudo, a mediocridade do meio literário consegue me surpreender.

Recebi um e-mail ontem onde um colega do meio literário me confidenciou uma prática que até então eu juraria duvidar da sua existência, talvez diante da minha “inocência” dentro do meio ou, talvez, por crer que ninguém teria tamanha cara de pau.

Segundo esse meu colega um escritor que já possui certa visibilidade dentro do cenário literário atual entrou em contato com ele e lhe fez uma proposta no mínimo “indecente”.

A conversa se deu através de uma rede social, e assim como esse meu colega fez, vou transcrevê-la para que compreendam bem o seu teor.

“Boa tarde ******, tudo bem?”
 “Comigo tudo tranquilo, e contigo?”
“Vou bem, obrigado. Um pouco cansado por causa da correria com a Bienal, mas foi recompensador.”
“Imagino que sim.”
“Cara, queria conversar uma parada contigo, mas gostaria que ficasse só entre nós, pode ser?”
“Tudo bem, o que houve?”
“Não foi nada, é que eu já tinha ouvido falar de você. Lá na bienal comentaram sobre o seu trabalho e daí pintou a curiosidade de conferir, e gostei bastante do que vi.”
“Que bom, vindo de um autor como você, isso é bem legal, obrigado.”
“Nada, eu só elogio quem merece. Mas vamos pular a rasgação de seda, e vou direto ao ponto. Seu trabalho é muito bom, mas parece que os editores não simpatizam muito contigo, os motivos você sabe bem quais são, então gostaria de te fazer uma proposta.”
“Manda.”
“Sem rodeios. Seus trabalhos são bons, bons mesmo, mas você dificilmente vai ter futuro dentro do meio por causa do seu posicionamento diante de certas situações, os caras te queimaram. Não vou dizer que não concordo contigo em relação a algumas coisas, mas prefiro manter minha opinião só pra mim, isso evita muitos problemas. Opinião não paga as contas, não enche barriga, nem sempre expressar nossas opiniões é algo bom.”
“Me diz uma coisa que eu não sei. Mas e aí?”
“Bom, você quer ser lido, não quer?”
“Todo escritor quer, ou não?”
“E se você me cedesse alguns dos seus trabalhos? Eu publicaria com o meu nome, e nós dividiríamos o valor das vendas.”
“Deixe-me ver se entendi direito: você quer publicar meus livros como sendo seus?”
“Praticamente isso, mas não esses que você já lançou, esses todo mundo já conhece né? Você escreveria novos livros, e se eu gostasse deles, publicaria esses inéditos, como se eu tivesse escrito.”
“Cara, você não acha isso muito escroto?”
“Bom, sim, mas conheço gente que faz isso. Você quer ser lido, não quer? Então, seu trabalho será publicado, será lido e você ganhará um dinheiro interessante, só não vai assinar as obras. Nós dois saímos ganhando.”
“Vou pensar nisso. Você já fez isso antes?”
“Isso tem importância? Pra que você precisa saber disso?”
“Para saber se não há o risco de dar merda.”
“Que merda daria? Ninguém vai ficar sabendo, só eu e você.”
“Os editores e os leitores conseguirão reconhecer meu estilo de escrita, que não se parece muito com o seu, daria muito na cara.”
“Quanto a isso relaxe, eu dou uma estilizada no que você me mandar. E com os editores eu me viro. O que eles querem é um trabalho novo meu, não precisa se preocupar com essa parte.”
“Vou analisar isso, depois te dou a resposta.”
“Saquei, mas pense bem, uma oportunidade como essa não aparece duas vezes.”
“Vou pensar, um abraço.”
“Valeu.”

Acredito que seja desnecessário tecer comentários a respeito, mas há questões que inevitavelmente surgem diante dessa conversa: quem seria esse autor? Quais desses autores “na crista da onda” não utilizam essa prática?

Meu colega não quis me passar a identidade do autor que lhe fez a proposta, muito menos se ela foi aceita, mas pelo que conheço dele acho difícil que tenha concordado com alguma coisa assim.

Mas de uma coisa podem ter certeza: se eu descobrir de quem se trata, com certeza escancararei aqui no blog.

Entre em contato: litfanbr@gmail.com


14 comentários:

  1. Então quer dizer que o cenário literário nacional apodreceu tanto que chegou a esse ponto?

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  2. a velha história do "um amigo meu, e um amigo de um amigo meu". Bah!

    Mas quer saber? Eu aceitaria. Numa boa.

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  3. O cara te mandar isso e não dizer o nome, não prova nada.
    Pode ser só história da carochinha.
    Fale pro cara dar nome aos bois.

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  4. Existe a figura do Ghost Writer, que é alguém que você contrata para escrever um livro que será publicado como sendo seu. Mas neste caso, você contrata o cara, dá todas as ideias, direcionamentos, cenários, personagens, rascunhos e tudo mais. Embora o Ghost tenha o trabalho braçal de juntar tudo isso em um texto legível, a obra não deixa de ser sua.

    Mas Brasileiro é uma desgraça mesmo, e já quer criar o Ghost Slave.

    Aí pergunto: É difícil descobrir quem seria esse escritor da proposta indecente?

    Sabemos que é alguém conhecido, que já publicou pelo menos um livro conhecido. Mas essa pessoa, como praticamente todos os escritores brasileiros, não vive da escrita, pois qualquer emprego paga melhor do que vender livros.
    Só que ele está ligado ao meio literário e provavelmente, editorial, de forma que há uma certa pressão para que ele escreva e publique mais. Só que ele não quer perder tempo escrevendo, já que na sua profissão, ele ganha muito mais, então começa a buscar outros escritores para que façam o trabalho no seu lugar.

    Já começou a surgir uma lista de suspeitos?

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  5. Para mim, factoide. Isso não prova nada.

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  6. Desculpe, mas para mim autor é aquele que cria, que sua, que compõe o texto. Criar histórias qualquer um faz. Por no papel é que demonstra se você é autor ou não. Ghost ou não, pra mim se você não escreveu, não é o autor.

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  7. O tal escritor que fez a proposta indecente disse assim: “Vou bem, obrigado. Um pouco cansado por causa da correria com a Bienal, mas foi recompensador.”

    É incrível, mas todos os picaretas literários tem o mesmo argumento.
    Isso prova o quanto a Bienal está cada vez pior, e por isso mesmo já tem um monte de escritores que não querem mais participar. Nessa última que teve, vários não compareceram.

    O que foi recompensador, afinal? Vender um monte de livros? A literatura é só isso? Só se resume a isso?
    Bons mesmos são os escritores que dão a cara a tapa publicando seus textos em seus sites e blogs, porque esses sim escrevem por amor ao que fazem, e não apenas por dinheiro.

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  8. Povo gosta de ver o circo pegar fogo, esperneando porque o relatado não merece credibilidade pelo mero fato de não terem sido citados os nomes dos interlocutores.
    Mas quando dão a cara a tapa e toda a gentalha cai de pau em cima não aparece ninguém pra defender, ao contrário, ajudam a apedrejar.
    Pimenta no rabo dos outros é refresco.

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    1. Comentário mais FODA do universo!! KKKKKKKKKKKKKK

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  9. Eu não tenho a menor dúvida de que isso deve acontecer, dada a quantidade de autor famoso no meio fantástico que usa ghost. Não estou falando de editor, de assessor, isso é normal. Mas autor usar ghost é ridículo. O artista que usa ghost pra escrever a autobiografia, blz. O empresário de sucesso. O político. Tudo bem, é pra isso que serve o ghost. Mas AUTOR que usa ghost é o fim da picada. Seria o mesmo que o Alex Atala ou o Jamie Oliver contratarem outros chefs talentosos para cozinharem nos restaurantes deles, e eles dizerem que foram eles que cozinharam. Ou o Picasso assinar uma tela pintada por outro pintor. Então, não, autor que usa ghost é picareta, do ponto de vista literário.

    Agora tenho que concordar com o colega acima. Como eu disse, por mais que não duvide que seja verdade, assim, da forma como foi "denunciado", fica difícil. O chute não é"na cara"? Então crie colhões e forneça provas do que está afirmando. Sem isso são apenas palavras ao vento, que parecem vir de alguém com ego ferido.

    Caro delator: se as obras do teu amigo são assim TÃO boas, ALGUÉM vai publicá-las. Fica difícil acreditar nessa história.

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  10. Digamos que seja verdade. Trata-se de um autor fantástico com relativa fama, mas com rendimentos o suficiente para prometer que a picaretagem será rentável para ele e para o autor que cederá a obra. Isso sem contar os editores. Não existem muitos nesse nível no Brasil não é mesmo?

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    1. Buscar rentabilidade neste cenário é ser ingênuo demais.
      Os autores recebem uma parte ínfima das vendas dos livros, mesmo sendo o único elemento realmente necessário para fazer a obra acontecer.

      Agora imagine pegar esse rendimento ínfimo e dividir por dois!!!

      O cara que escreve para outro publicar pode achar que vai ganhar mais com isso, mas o principal ele já perdeu, que é a obra que ele tanto se sacrificou para escrever.

      Só não comparo isso a uma prostituição porque no fim do dia (ou da noite), o corpo da prostituta continua sendo dela.

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  11. Saber quem é o escritor que age assim fica difícil.
    Mais fácil é saber de quem esse escritor provavelmente não "compraria" nenhum livro.
    Quem acompanha o blog sabe.

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  12. Acho esta acusação uma temeridade. Não há nenhuma prova, só um disse-me-disse sem qualquer peso. Dificilmente um escritor consagrado faria tal proposta por inbox (só se fosses um imbecil consagrado). Esse é o tipo de coisa que se conversa "no fundo do quintal da escola" e não no corredor, onde alguém possa ouvir.

    Eu até acreditaria se pelo menos houvesse um print, mas desconfio que até um print seria precário como prova.

    Esta não é a primeira vez que este blog publica textos que eu tenho dificuldade de engolir. Vocês já mandaram queimar livros, já usaram a orientação sexual de um autor para atacá-lo e agora acusam alguém de ter cometido um CRIME.

    Sim, CRIME. Falsidade ideológica (ao apresentar como sua a obra alheia). Lembrando que os direitos morais são inegociáveis.

    Se alguém se sentir identificado e resolver processar, vocês vão ter que suar para rpovarem que o caso aconteceu.

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