Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Armadilha literária.


Por Chutenacara.com.br.

Recentemente recebemos um e-mail de uma jovem escritora que, assim como muitos, deseja ingressar no meio literário.
Achei interessante transcrever aqui o breve diálogo que mantivemos para que sirva como um exemplo a todos os que encontram-se na mesma situação.
O contato serve para ilustrar tanto a maneira como editoras de caráter duvidoso abordam jovens escritores quanto o nosso posicionamento em relação a elas.
Espero que seja útil para evitar que muitos caiam nessas verdadeiras armadilhas.

Oi, 

Vcs tem alguma informação sobre a editora ***
Ela se interessou por uma obra minha e quer publicar, mas tem a política de fazer uma tiragem de 1500 livros e o autor adquirir 500 exemplares. Por esses 500 exemplares, ela está me cobrando R$ 13.500,00. O que me atraiu na proposta foi a abrangência de livrarias na qual ela dispõe o livro para venda.

O que vcs podem me dizer quanto a essa editora? 

Obrigada desde já. 

Nossa resposta:

Olá ***.

Não sabemos, ainda, de nenhum fato que desabone a ***, entretanto acreditamos que, em vista do que nos expôs, algumas ressalvas são necessárias.
O valor cobrado por elas é consideravelmente alto, e nós não vemos com bons olhos editoras que agem dessa forma. De que forma? Demonstrando interesse pelo trabalho de autores, mas cobrando para publicá-lo.
Verifique com maior cuidado que livrarias são essas em que ela disponibiliza o livro para venda, porque é de praxe essas editoras prometerem mundos e fundos e, após o contrato assinado e o dinheiro recebido, virarem as costas para o autor.
Se o seu livro é tão bom quanto eles dizem, por que cobram para publicá-lo? Se ele é tão bom e certamente fará sucesso, qual a necessidade de você ter que ficar com quinhentos exemplares?
Não seria mais coerente, visto que você é uma autora iniciante ainda, eles fazerem uma tiragem menor e, caso faça sucesso, fazerem uma segunda em maior quantidade?
Não sabemos de nada negativo sobre essa editora, mas a proposta nos parece um tanto esdrúxula.
Tente entrar em contato com a Editora ***, eles realizam um trabalho legal e, caso aprovem seu livro, não cobrarão nada para publicá-lo.
Caso esteja interessada, entre em contato com o ***, editor da ***, o perfil dele no Facebook é *** e diga que foi indicação nossa.
Boa sorte no seu projeto e, se possível, nos relate quais decisões tomou.

Um abraço.

A resposta da colega:

Olá,

Muitíssimo obrigada pelas dicas, irei considerá-las sim.

Na pesquisa que fiz, os livros da *** estão a venda em livrarias grandes tipo, Cultura, Saraiva, Laselva, etc. Nenhum dos livros são vendidos a preços exorbitantes. Moro no interior *** e o livro encomendado a *** chega com facilidade aqui, o que me pareceu uma grande vantagem. 
Eles não me disseram que o livro é maravilhoso e irá fazer sucesso, falou apenas que, no início, seria interessante que tanto o autor e a editora investissem nele (aquele blá, blá, blá, eu sei), e que para eles verem a aceitação do livro não dá para ser menos de 1.500 exemplares pois o país é muito grande e a distribuição de poucos livros não daria conta.

O valor do pagamento dos 500 livros caiu de 14.500 para 12.300 (em uma negociação com eles). 

Estou realmente na dúvida, mas mesmo assim, obrigada mais uma vez,
Sua opinião foi muito importante para mim. 
***
Mas gostaria de fazer algumas considerações que não fiz na conversa com a colega.
O escritor, no caso, deve ficar com quinhentos exemplares do livro, correto? E o que ele fará com esses quinhentos exemplares? Venderá na feira?
Todos os envolvidos com o meio literário sabem que vender livros não é tarefa fácil, e eu insisto: por que a "editora" insiste numa tiragem de mil e quinhentos exemplares sem saber se a obra será bem recebida? Não seria mais prudente e menos dispendioso financeiramente fazer uma tiragem menor, como teste, para no caso de êxito, realizarem uma segunda tiragem maior? Pra mim essa proposta é muito estranha e gato escaldado tem medo de água fria, isso me cheira a mais uma armadilha.
Honestamente, minha vontade era a de citar o nome da "editora" envolvida na questão, mas como estou de muito bom humor deixarei em off, mas farei uma pesquisa a respeito dela e, caso encontre algo que deva ser levado a público, não exitarei em publicar com todos os "x".

Entre em contato: litfanbr@gmail.com


9 comentários:

  1. Quando o seu trabalho chega no ponto de venda, pode ter duas certezas:
    1 - Todo mundo ganhou dinheiro em cima daquilo, menos você, que arcou com tudo.

    Quando o leitor tem contato com o seu trabalho e o compra, surge a segunda certeza:
    2 - Todo mundo vai ganhar com aquilo, menos você.

    Editora X, lhe promete 1500 exemplares impressos, a preço de R$ 10,00 o exemplar. Você paga R$ 15.000,00 a editora, e ganha revisão, diagramação, capa, divulgação e seu trabalho exposto nas principais livrarias espalhadas pelo Brasil.
    Só que, a editora vai ficar com 1000 exemplares para fazer essa distribuição, e vai te dar 500 para que você os venda a um preço de R$ 35,00, por exemplo. Se você vender tudo, recupera R$ 17.500,00. (Maravilha)

    Os exemplares que serão vendidos pela editora, nas livrarias, não vão lhe reverter direitos autorais, pois uma clausula do contrato dirá que você só receberá os direitos a partir da venda do exemplar 1001, que será coisa de 10%, ou R$ 3,50.
    Isso nem interessa neste momento, afinal, o exemplar 1001, só será vendido na segunda edição. Agora vem a bronca.

    A editora prometeu uma revisão que não foi feita, uma diagramação que ficou ruim, uma capa que logo perceberás não ser exclusiva do seu trabalho, e uma divulgação inexistente. O seu trabalho empaca e as vendas estão lentas.

    O máximo que a editora faz, é te conseguir um espaço no estande dela, na bienal, para divulgar o seu livro. Mas você terá uma meta de vendas a ser cumprida, e lá, vale TUDO. Pendurar melancia no pescoço e se humilhar nos corredores do evento é o mínimo que pode te acontecer.
    Olha que você teve sorte, pois algumas editoras ainda te cobram por essa “oportunidade”.

    Continuando, dos 500 exemplares que a editora lhe deu, você conseguiu vender uns 10 entre familiares e outros 20 para amigos. Muita gente disse que iria comprar e não o fez, o que pode causar indisposição. A situação é complicada, pois estás no vermelho em 15 mil. Isso considerando que você não fez empréstimo em banco para custear a publicação.

    É preciso divulgar. E o que você faz com os 470 exemplares restantes? Entra em contato com blogs literários, para que façam resenhas do seu livro, e assim, desperte a curiosidade dos leitores.
    Então já vão 200 a 300 exemplares para os blogueiros. Mais custo para você, pois a maioria não paga nem o frete. Sai do seu bolso, novamente.
    As semanas passam, e apenas 1/6 dos blogueiros postaram resenhas, sendo em sua maioria, parecer cópias umas das outras, pois muita gente escreve menos sobre o livro do que consta na sinopse.
    Os que não fizeram as resenhas, simplesmente pararam de responder os seus e-mails. O seu plano de divulgação foi por água abaixo, a um custo enorme.

    Mas não se preocupe, pois apesar de tudo, o seu trabalho despertou o interesse de algumas pessoas, que entram em contato com você, pedindo o seu livro, de graça.
    Isso porque, tantos autores que caíram nessa armadilha, estão tão desesperados para serem lidos que dão os seus livros de graça para quem quiser. Como resultado, muita gente acha que só precisa comprar livros estrangeiros, pois os nacionais, basta pedir que o autor dá.
    E se você recusar, eles te xingam mesmo. Dizem que estão te fazendo um favor e tudo mais.

    Acabou???

    Não!

    Sabe aqueles 1000 exemplares que ficaram com a editora? Estão sendo vendidos, e o lucro fica todo na editora. Mas caso venda tudo, será feita uma segunda edição, e você passará a receber os direitos autorais. Já é um começo, depois de tantos problemas, não?
    Bom, o problema é que a editora nunca lhe passa o relatório das vendas, e você jamais irá saber que resultados o seu trabalho alcançou, e muito menos se a editora realmente mandou fazer os 1500 exemplares prometidos. Você os viu no estoque?
    Como descobrir se a editora distribuiu 1000 ou 100 exemplares?

    Você nunca vai saber.

    Agora, você está cheio de dívidas, acumulou problemas entre amigos e familiares, está completamente frustrado e se arrependeu profundamente de ter escrito o seu Livro.

    Para muitos, é o mercado editorial Brasileiro.

    ResponderExcluir
  2. Eu sei que editora é essa, eu recebi a mesma proposta. E foi no meu livro mais curto, de cerca de 100 páginas, eles me cobrariam 14 mil pelos 500 exemplares. Então ficaria um preço unitário de 28,00. Ora, no clube de autores está 27,50 COM O DIREITO AUTORAL, e eu não precisei pagar nada por isso. Acho que graças a Amazon, estamos conseguindo andar com os próprios passos, sem precisar passar por situações como essas, já que a maioria dos autores hoje vende por lá.
    14 mil é o preço de um bom carro popular, seminovo, ano 2004 por aí. Ou seja, é um valor alto. Eu não desembolsaria, até porque já são alguns anos no mercado literário e já vi muita gente encalhar com caixa de livros em casa, depois de fazer empréstimo, crente que ia vender porque os amigos prometeram comprar... dai depois, todo mundo some.

    ResponderExcluir
  3. Eu acho que esses picaretas do meio literário só aprenderão quando ninguém mais quiser publicar com eles.
    Recentemente lancei meus livros pela Amazon e estou muito satisfeito com o resultado, além de mantê-los, no formato físico, pelo Clube de Autores.
    Sem dever satisfação a editores, revisores ou capistas, que se mostram uns com o caráter pior que o do outro.
    Aconselho aos escritores novatos que esqueçam essa ideia de procurar essas editorazinhas e tentem caminhar com as próprias pernas.

    ResponderExcluir
  4. A editora que imprimiu o meu livro fez uma proposta que achei boa, para autores iniciantes.

    Eu queria uma tiragem de 100, mas ele falou que não fazia menos de 200, pois incorreria em muito desperdício, quando na confecção das capas.
    Então propôs que eu adquirisse as 200 capas, mas que montasse apenas 100 livros. Depois que tivesse mais grana, montaria os outros 100, pagando apenas a diferença, já que as capas estariam lá, esperando.

    Foi o que eu fiz.
    Vou vendendo a primeira leva, no passinho do macaco, e nesse meio tempo, juntando dinheiro para fazer os outros 100, compondo assim, o estoque da minha loja virtual.

    Depois de vender estes 200 exemplares, acabou! Sem fama, e nem estrelato. Apenas trabalho.
    Estarei investindo o dinheiro das vendas em obras futuras, que irão vender sempre um pouquinho mais, fazendo uso de uma base de fãs construída de forma sólida.

    ResponderExcluir
  5. Essa Editora é a Dracaena, uma das mais malandras da atualidade..... O editor nunca pagou autor algum e nem mandou relatório de vendas. Tudo por lá é mistério. Caso de polícia.

    ResponderExcluir
  6. Outra que faz propostas aos autores nesse mesmo esquema é a Novo Século... :(

    ResponderExcluir
  7. Acabei de mandar produzir 700 exemplares de um livro de 250 páginas. Não paguei metade dos que estão pedindo.

    ResponderExcluir
  8. Olá! Alguém pode informar quais as editoras são consideradas boas de mandar o original e quais não são, por favor? Facilita muito a jovens autores, com eu, por exemplo, a não cair em armadilhas.

    Obrigada!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Quais são boas fica difícil dizer, mas quais não valem nada é só ler as matérias aqui no blog que você descobre.

      Excluir

Pode chorar...