Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Tarja Editorial - In memorian.



Por Chutenacara.com.br.



Pois é amiguinhos, quem acessar a página da Tarja Editorial se deparará única e exclusivamente com essa mensagem.


Já foi publicada uma matéria sobre essa editora no ano passado, um caso realmente estranho relatado pelo colega "Lobo Mau" e que pôs em xeque a credibilidade da referida editora.

Não especularei sobre os motivos que a levaram a fechar as portas, mas veja as palavras dos donos a respeito do ocorrido, publicadas na página da editora no Facebook:

Caros amigos e amigas da Tarja Editorial,

Hoje oficialmente é o último dia de atividades "editoriais" da Tarja. Estamos encerrando nossas atividades e não estamos mais publicando livros. Durante algum tempo ainda comercializaremos parte do estoque que se encontra encalhado conosco e com os livreiros, porém não prosseguiremos com lançamentos de novos títulos. (Dica: fiquem de olho aqui, pois diariamente vamos soltar algumas promoções de nossos estoques remanescentes)

Agradecemos imensamente todo o carinho que desfrutamos nos quase oito anos de trabalhos em prol da literatura fantástica aqui no Brasil, onde conhecemos centenas de autores e milhares de leitores.

Caso necessitem estabelecer contato conosco, podem deixar mensagens aqui na página, pois pretendemos manter esse Facebook por algum tempo, visando manter os contatos dos leitores e autores durante... bem, enquanto durar!

É hora de trocarmos de pele, renovarmos conceitos!

Abraços,

Richard Diegues e Gianpaolo Celli
Sócio-editores da Tarja Editorial




Atentem-se ao trecho "parte do estoque que se encontra encalhado".

Se eu fosse escritor e tivesse publicado algo com eles me sentiria ofendido uma vez que tal afirmação, na minha opinião, deprecia o que foi publicado por eles como sendo um estorvo, um entulho ou algo do gênero.

O mais engraçado são os comentários na postagem onde tem gente dizendo que "meu mundo caiu". Porra, a dita cuja é uma autora tão sensacional que só consegue publicar pela Tarja? Na boa, pula na cova e se enterra junto com a editora!

Richard Diegues publicou em seu Facebook:

Uma imensa parte dos amigos e simpatizantes da literatura brasileira de ficção me conhecem como escritor, e uma parte mais seleta como editor pelaTarja Editorial

Hoje eu e meu sócio, Gianpaolo Celli tivemos que tomar uma decisão muito triste: encerrar as atividades da editora, depois de 8 anos de dedicação à literatura fantástica.

Sofremos alguns percalços com Livreiros & Caloteiros e contracheques malditos, de tal forma que financeiramente a editora se tornou inviável economicamente.

Durante muito tempo lutamos pela Tarja, pois para nós era muito mais do que um negócio. A Tarja era um projeto de vida, um desejo de deixar algo no mundo, de dar um pouco de nós para a sociedade... enfim, era um trabalho feito com muito carinho.

Me sinto aqui no dever de ser irônico, porém não consigo... não é de meu feitio... de tal maneira que apenas posso deixar meu sincero desejo de que as "editoras" que abundantemente vem surgindo nesse mercado (que está em franco crescimento) gerem obras primas e trabalhos revolucionários; também deixo meus votos de que continuem aparecendo "autores" e publicações de grande nível profissional, tais como os que temos visto ultimamente no mercado; e, por fim, que as "livrarias" continuem nesse trabalho digno e honrado, onde não se vendem (e baixam as calças) às grandes casas editoriais, e ainda valorizam os autores que tudo fazem para divulgar seus trabalhos dentro de seus ambientes, atraindo público e gerando boas repercussões para cada loja (que por sua vez tem sido maravilhosas com seus pagamentos aos editores que deles dependem). enfim, desejo que o mercado de literatura continue uma grande maravilha, gerando cada vez mais desses fantásticos leitores, que consomem avidamente os bons livros que vem surgindo, sem se deixarem levar pelos pífios bestsellers e livros de modinhas, valorizando o trabalho dos escritores.

Sabe, é triste deixar o mercado editorial, porém é muito bom saber que posso voltar a escrever apenas por paixão, deixar a vida seguir o seu curso, e minha língua ser livre o quanto quiser.

Estava com saudades de mim mesmo, confesso!


Ele faz algumas citações curiosas sobre "livrarias que baixam as calças", como se autores medíocres também não fizessem isso para publicar seus trabalhos medíocres. Porém, achei mais interessante esse final onde ele diz "minha língua ser livre o quanto quiser". Parece que enfim ele se encheu da patifaria que existe dentro do meio.

Richard, se quiser desabafar em nosso blog esteja a vontade, permitimos o uso de pseudônimos de forma que pode colocar toda a merda no ventilador sem que a escória literária o crucifique por isso ok?

Não encontrei nenhuma menção de Gianpaolo Celli sobre o assunto.

De qualquer forma fecham-se as portas de uma editora que já foi denunciada aqui em nossa página, resta-nos orar para que as editoras dos "estronhos" e dos "bonitos" também fechem.

Quem sabe eles decidam seguir a carreira de lavador de carros ou pipoqueiros e deixem o meio literário para quem entende do assunto. Para o bem da literatura fantástica nacional.

Entre em contato: litfanbr@gmail.com





6 comentários:

  1. O problema dessas editoras é que não há apoio financeiro aos seus autores (querem que eles paguem por suas viagens e participações em eventos literários. Se fossem boas editoras, como afirmam ser, financiariam seus autores e organizariam seus próprios eventos). Não fazem marketing profissional, ficam fazendo propagandas 90% das vezes pelo facebook e através de seus sites, e isso tá mais que provado que não dá certo (tem editora por aí dizendo que a propaganda deve ser feita também pelo escritor, mas peraí! Escritor tem APENAS que escrever! Quer dizer agora que a editora põe a culpa no escritor se ela não sabe como fazer seu trabalho?). Além disso também não se especializam no mercado, não buscam certificações e títulos e conhecimentos, fazem tudo apenas porque gostam do "meio literário" e fazem eventos amadores de "bate-papo" (me poupe né!). São editoras amadoras mesmo! Se fossem profissionais não teriam seus estoques "encalhados".

    Por outro lado, não achei legal o comentário do autor deste post falando sobre "Estronhos" e "Bonitos". Fica parecendo que ele quer que as editoras se deem mal de qualquer jeito, como se fosse um assunto pessoal. Acho mais justo apontar falhas orientando para que elas melhorem seu trabalho. Afinal, criticar de forma construtiva é melhor, a literatura fantástica brasileira agradece!

    Mas vou lançar uma polêmica no ar (responda quem tiver audácia): Nesse cenário da LitFanBr, é justo que por causa da burguesia, dos falsos moralistas e dos crentes, as editoras discriminem os autores pobres e imorais?

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  2. Não podemos levar o texto a sério. Ele está desabafando. Outra coisa: É muito mais fácil colocar a culpa nos outros...Seria como se eu culpasse a editora por meu livro ser ruim .

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  3. Eu não comemoro o fim da Tarja, de jeito nenhum. Podia ter seus defeitos, mas passava muita seriedade, muito embora metade de seus proprietários (sic, rsrs) tivesse certa empáfia e tenha me tratado muito mal algumas vezes (condescendência, preconceito geográfico, etc.). Mesmo assim publicou bons livros, mantinha um bom padrão de qualidade gráfica (pelo menos até recentemente) e inspirava confiança.

    Ao contrário de muita editora por aí, publicar na Tarja era distinção.

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  4. Tiveram o que mereceram e foram tarde.
    E eles não tinham respeito pelos autores, especialmente o sócio que nem se manifestou. Certa vez discuti com ele, em que ele dizia que os autores são uns folgados por enviar suas obras sem passarem por leitura crítica e revisão profissionais. Como assim?? Repliquei que se o autor tem que fazer o papel do editor (que tem por dever selecionar e editar), então para que vai querer publicar por editora? Que o autor banque tudo do próprio bolso e lance por sua própria conta e risco, o que eu acredito será a forma de publicação no futuro. Pois, com a ridícula margem de Direitos Autorais que as editoras repassam aos autores, só lançará por editora aqueles escritores pobres e iniciantes. Um escritor consagrado não precisa mais de intermediários, afinal.
    Só é lamentável perder a editora por seu ideal - tinha boas intenções, mas devem ter se perdido no caminho.

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