Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Escritor? Vendedor? Marketeiro?



Por Astrid Underground.

Impressiona-me a quantidade de baboseiras que as panelinhas literárias propagam internet afora.

A última imbecilidade que li, não me recordo onde, foi um desses escritores "na crista da onda" dizer que atualmente os autores não devem se dedicar apenas à escrita (?????), mas que devem participar da maior quantidade de eventos que for possível, não apenas literários.

Sim, o escritor hoje em dia deve interagir com todo tipo de público e comparecer a toda espécie de eventos, mesmo que nada tenham a ver com o meio literário. Pois é, ele deve ir a eventos de cosplays, de filmes de terror filmados no fundo do quintal, à "fanzinadas" e tudo o mais que aparecer.

E tem gente que realmente segue essa linha visto que em todo e qualquer evento os mesmos cidadãos estão lá, como arroz de festa, adulando quem puder, distribuindo sorrisos falsos e dando tapinhas hipócritas nas costas dos outros.

Um exemplo esdrúxulo de que lembrei, não muito atual mas que se encaixa em tamanha abominação, foi uma organizadora de antologia que decidiu divulgar seu livro em um show do Manowar cover, porque segundo ela o estilo musical da banda coincidia com o tema da última antologia que lançara.

É ou não o fim da picada? Como diria meu avô: o que tem a ver o cu com as calças?

Não que metaleiros não leiam, mas acredito ser improvável que as pessoas que vão assistir um show estejam interessadas em comprar livros. Isso me soa desespero por vendas.

Mas é como pregam os editores: você não tem que escrever obras decentes, você tem que vender o que escreve, custe o que custar, e assim lhes trazer lucro.

Lendo o regulamento de uma antologia, dia desses, havia um pequeno questionário que o interessado em participar deveria responder, e dentre diversas perguntas havia uma do tipo "quantas pessoas você conhece que comprariam seu livro?". Ou seja: se você conhece pouca gente para ajudar na venda do livro seu conto não será selecionado, ainda que você seja um Machado de Assis.

Portanto ao invés de ler, pesquisar e aperfeiçoar suas técnicas de escrita para oferecer trabalhos decentes aos leitores e ao mundo literário você, autor, deve comparecer a todos os eventos que puder e se enturmar com a "panelinha", assim todos divulgarão seus lançamentos e o ajudarão nas vendas. O importante é você ganhar público para poder empurrar a porcaria que você provavelmente escreve e o material não ficar entulhando o estoque da "editora".

Querem outro exemplo de como a escória segue à risca essa filosofia esdrúxula? Foi quando o (não sei se escritor, capista, ilustrador ou poeta) organizou um evento literário em Barueri há algum tempo atrás. Meu Deus, o pobre sequer sabe escrever de forma inteligível e se atreve a organizar eventos literários?

Mas claro, foi um sucesso, compareceram umas vinte pessoas (!!!!), sendo que a metade era de escritores da panelinha dele e que fazem parte da mesma editorazinha de qualidade questionável já incansavelmente exposta aqui no blog.

E todos esses eventos são um tremendo sucesso! Comparecem os autores dos livros, seus puxa-sacos e seus familiares, realmente um sucesso absoluto!

No princípio a fórmula parecia funcionar, mas ficou tão manjada que esses "eventos literários" e "lançamentos" a cada dia perdem relevância e fico me perguntando qual será a próxima maracutaia que os picaretas literários criarão.

Por essas e por outras que vejo muita gente se afastando do meio literário, e não tiro a razão deles, porque ter que aderir a esse tipo de política para ser aceito pelas editoras e deixar de lado o que realmente importa, a boa escrita, não dá para engolir.

Entre em contato: litfanbr@gmail.com

4 comentários:

  1. Não entendo porque a editora em questão apóia tanto esse Eddy Khaos mencionado aqui nesta postagem, alguém aqui sabe me dizer? Essa editora tem uma boa proposta mas já teve sua imagem manchada por apoiar esse "escritor" e contratar um capista que fez uma merda de plágio! Além disso uma outra "escritora" plagiou o roteiro do filme Anjos da Noite em seu livro The Burns. Mas esses já são assuntos pra lá de desgastados.
    Espero que essa editora tenha mais realizações boas em sua proposta, porque vi nela ótimos autores, de talento incrível, mas que infelizmente estão sofrendo com toda essa escória que insiste em continuar fazendo merda em nome da editora. Como foi o caso de mais esse evento lamentável!

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  2. Complicado mesmo.

    Mas independente de qualquer coisa, o autor precisa vender os seus livros, assim como o pescador vende os seus peixes e o escultor vende suas esculturas.

    Saber vender, é algo que deve ser aprendido por todos aqueles que trabalham com produção, qualquer que seja.
    Organizar eventos com amigos e familiares ajuda. O que não pode é lançar o livro, sentar a bunda no sofá e esperar um milagre acontecer.

    Infelizmente, as vendas iniciais estão ligadas muito mais aos talentos do vendedor do que do escritor. Se o livro for realmente bom, novas edições surgirão embaladas pelo marketing boca-a-boca, mantido pelos leitores, e pela forma que o autor trabalha o seu público.

    O cenário literário cresce e novos autores surgem a cada dia. A auto publicação é uma realidade, aplicada inclusive para aqueles que dispõem de um respeitável público.
    E qual deve ser papel da editora no século 21?

    Profissionalizar os autores e garantir que apenas trabalhos de qualidade sejam publicados por seus selos, afinal, as editoras têm leitores, e muita gente compra os livros pelo selo.

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  3. Embora o texto esteja bem claro quanto ao ponto de vista do autor sugiro que leiam o texto dessa outra página.

    https://excretor.wordpress.com/2013/10/28/o-restart-na-literatura-fantastica-brasileira/

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  4. Lamentável. Não é a toda que é muito difícil ir até o fim de algumas obras dos autores do nova moda de literatura nerd.

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