Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Analisando o cenário literário.


Analisando a Literatura


Por Astrid Underground.


Já faz algum tempo que não escrevo aqui para esse blog e nesse meio tempo o cenário literário no Brasil mudou em praticamente nada, mesmo tendo ocorrido a Bienal e outros eventos de certa relevância, aliás, tais eventos só serviram para reforçar algumas tristes conclusões que eu já tinha.


Porém, esse tempo me foi útil para que eu refletisse sobre esse cenário literário e, conversando com alguns amigos, chegasse a algumas conclusões interessantes e que até então me eram obscuras.

Acredito que a literatura brasileira, hoje, possa ser comparada ao cinema, na tentativa de se entender melhor a atual situação do mercado.

Pois bem, para quem não sabe há um gênero dentro do universo cinematográfico denominado "gore", representado por filmes onde a escatologia é exagerada, onde há excesso de sangue, vísceras e toda espécie de nojeira imaginável. Esse tipo de filme atrai pessoas devido ao seu conteúdo chocante, possuindo muitos fãs, estando ele presente em maior escala dentro do gênero terror e até mesmo no erótico/pornográfico. Em geral são filmes criados com baixo orçamento, roteiros de qualidade duvidosa e atores que trabalham em troca de uma "quentinha". Como alguns exemplos eu poderia citar os filmes do aclamado (????) José Mojica Marins, vulgo Zé do Caixão e outras pérolas como Mangue Negro, para mencionar os nacionais, e toda a saga de filmes sobre zumbis do diretor George Romero (A Hora dos Mortos-Vivos, Madrugada dos Mortos e etc).

E é o que está ocorrendo com a literatura nacional, exatamente.

Editoras de segunda linha, incapazes de atrair escritores de renome devido ao seu baixo capital e reputação, se dedicam a publicar obras escritas por escritores cuja qualidade do material não atende às exigências das grandes editoras, mas que assim como os amantes dos filmes "gore", também possuem uma razoável quantidade de fãs. É como comparar a NBC Universal, produtora cinematográfica hollywoodiana com a Fábulas Negras, produtora de Mangue Negro, filme já citado e que, para sua desgraça, deve ter assistido ao trailler.

Realizando tal comparação ficou mais claro, pelo menos para mim, que toda essa gente que vem sido esculhambada aqui no blog merece um pouco de compreensão, já que atuam em um nicho literário que, assim como os filmes, segue uma categoria B de produção devido ao baixo orçamento do qual dispõem e à falta de capacidade técnica dos profissionais envolvidos (e boa vontade, na maioria dos casos).

É facilmente possível comprovar a diferença de patamar existente entre editoras classe A e classes B, C, D (as gore)... ao se visitar a Bienal. Alguém por acaso viu o escritor Paulo Coelho, só para citar um exemplo, abordando leitores pelos corredores do evento para convencê-los a comprar seus livros? Ou utilizando uma plaquinha no pescoço onde estava escrito "Compre meu livro para ajudar a Fundação Goku" ou, pior, criando banners para serem utilizados pela internet trajando lingerie e fazendo poses sensuais para atrair o público? Não, ninguém viu. E sabe por que ninguém viu? Porque editoras grandes, de reputação, não necessitam que seus escritores atuem, também, como vendedores. Por que não precisam? Por possuírem equipes que se encarregam de realizar o marketing e a venda do que publicam, onde o escritor, como o próprio nome diz, apenas escreve, o restante ficando sob sua responsabilidade.

Já as editoras "gore" garimpam internet afora qualquer "escritor" que se sujeite a ser pau para toda obra e que lhes garanta a venda, a qualquer custo, de ao menos cem exemplares do que for publicado para que seja ressarcido o custo da publicação, não importa se a dignidade do "escritor" seja jogada ralo abaixo. O mesmo indivíduo que se diz editor é o mesmo que, diz ele, se encarrega do marketing (anunciar a publicação em blog próprio e sites "parceiros") e a venda, bom, o "escritor" que se vire para vender se quiser manter seu contrato.

Percebe a diferença entre os dois tipos de editoras?

Não que uma seja melhor que a outra, apenas a forma de trabalho, os profissionais envolvidos e o produto com o qual trabalham é diferente, cada qual agradando determinado público.

Há quem se orgulhe de usar plaquinha no pescoço, perambular pela Bienal e se autodenominar escritor, vendendo todo seu estoque de livros e arrancando largos sorrisos dos editores "bonitos" e há quem prefira se dedicar somente à criação de suas obras e deixando o restante a cargo das editoras que possuem qualidade suficiente para dar conta do recado.

Conheço muitos, mas muitos mesmo, escritores de grande qualidade e que não se deixam atrair pelas propostas das editoras "gore" e preferem publicar seus trabalhos de maneira independente. Se algum dia atenderão às exigências das editoras A já não é possível dizer, mas ao menos eles conseguem manter a dignidade.

Tudo é uma questão de gosto e de parâmetros pessoal. Cada qual cria seu trabalho visando um tipo de mercado, de acordo com o que lhe é possível oferecer a ele.

NBC Universal, por exemplo, dificilmente produziria Mangue Negro ou A Encarnação do Demônio, e não me venham dizer que esses filmes são ruins devido ao baixo orçamento que impede que eles tenham efeitos especiais decentes, os filmes são ruins porque os roteiros são péssimos. Por que a produtora desperdiçaria dinheiro com algo sem conserto? Por que enfiar ótimos efeitos técnicos, computadorizados, em um filme cuja história é deplorável?

O mesmo acontece com a literatura, não adianta por exemplo a Sextante publicar um livro dos escritores "literatos" que não vai emplacar. Ela pode oferecer os trabalhos em capa dura, folheado a ouro e tudo o mais, com as mais modernas técnicas de impressão que nada disso vai suplantar a falta de qualidade da obra.

Resumindo, o que é categoria A sempre será trabalhado pela categoria A e apreciado por quem tem gosto pelo que é categoria A e o que é "gore", ou categoria B, C, D, E, F produzido por quem mal sabe usar a língua portuguesa de forma decente e trabalha de vendedor nos eventos literários, esses continuarão tendo como fãs aqueles que sentem prazer orgásmico em assistir pérolas como Mangue Negro e idolatram Zé do Caixão.

Entre em contato: litfanbr@gmail.com

25 comentários:

  1. Eu particularmente não vejo problema em usar do humor para vender livros. Aliás, a plaquinha do 'Compre meu livro para ajudar a Fundação Goku" foi muito simpática, uma bela jogada de marketing, e aposto que chamou bastante a atenção.
    Claro, nem tudo eu faria. Eu não tiraria a roupa, mesmo escrevendo eróticos. Até porque estou 10 kg acima do peso e acho que a visão não seria NADA agradável.

    Mas, foi algo a se pensar esse artigo. O que o autor nacional tem que fazer para chamar a atenção?
    Eu particularmente sou da turma do "não faz nada". Eu só posto as resenhas que recebo, etc... dou uma entrevista aqui, outra acolá, mas ainda não achei o que preciso fazer.. quem sabe um dia!

    Uma vez uma pessoa me perguntou se eu me inscreveria em um BBB da vida, ou essas coisas, apenas para chamar a atenção para a minha obra. Fiquei pensando naquilo, e percebi que pela grana para investir na minha literatura, eu acho que faria QUASE qualquer coisa, que não fosse relacionada a quebra dos meus princípios.

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  2. Sensacional! Tudo a ver! Excelente artigo!

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  3. Só quem estava lá para saber a quem o texto se refere :p O pior é que tenho de concordar em gênero, número e grau.

    Ghost Writer

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  4. Impressionante como você não entendeu nada, principalmente de cinema. E escreve muito mal.

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    1. De fato o texto é fraco e sem conteúdo. Ela só faz suposições....

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  5. Resumindo.....tem mercado para todo mundo.....Para livro bom, ruim, mal editado, sem revisão...para titia, para vovó, pro garotão, para princesa, para bruxa e para o anão...

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  6. Curioso é que o pessoal que critica o blog sempre assina como anônimo.

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  7. Discordo! Tem muito livro ruim saindo em editora A, como você qualificou! E tem muito livro bom saindo por editora B, C, D, E ou independente. O problema do mercado, ao meu ver, é exatamente isso o que você acabou de fazer: marginalizar aqueles que têm menos condições para divulgar seu trabalho. Muito pejorativo seu texto. Só lamento!

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    1. Será que ela está incluindo seus respectivos livros na linha : Livro bom siando por editora B,C,D,E ou independente ?

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    2. Alécio, nossa colaboradora, e amiga, Astrid não é escritora.
      E vem ao caso onde ela encaixaria seus livros, se ela escrevesse?
      O que conta é o conteúdo do texto.
      Pelo seu escárnio conclui-se que você deve ter se doído. Talvez você sim publique suas obras por essas pseudo-editoras.
      Se é que você escreve visto que desconheço sua pessoa.

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    3. Não estava respondendo ao texto da Astrid ! E sim, ao da Josy Stoque. - Essa sim escritora ....

      Quanto a pergunta...Sim, Publiquei por uma dessas pseudo-editoras...Como todo escritor cabaço, aprendi da pior forma. ( Mesmo tendo 36 anos ). Hoje espero uma melhor oportunidade para lançar uma próxima obra. Entenda a palavra " oportunidade " como revisões extras - Beta reader - Critica literaria....Quem sabe assim o trabalho tosco que eu realizo, fique um pouco melhor, assim evitando todo estresse que tive para publicar nas pseudo-editoras.

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  8. Madrugada dos Mortos, filme do George Romero? Conhece mesmo do assunto, hein?

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    1. Chutenacara.com.br10 de outubro de 2013 23:33

      Dá pra se confundir mesmo, tudo quanto é lixo de filme de zumbi é da autoria do Romero, uhahaauaahuauh.

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    2. Impressionante a capacidade das pessoas de serem idiotas.
      O blog não trata de crítica de cinema, mas de crítica literária.
      Analise o conteúdo do texto.
      A propósito: por que não mostra sua carinha linda nos seus comentários? Para não vermos seus olhos vermelhos de maconha?

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  9. Viajando pelas redes sociais eis que deparo-me com essa bela frase: Editora Literata Humildade é tudo e vc mereci!

    Eis os editores que estão no mercado.

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  10. O ruim de falar mal de uma editora é que vocês acabam queimando os bons autores que existem nela...

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    1. Como dizia meu pai : " Cala boca , burro ' !

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    2. Exatamente, burro é quem generaliza.

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    3. Concordo. Falar mal de uma editora sem mencionar seus bons escritores (mesmo que sejam poucos) é generalizar. E acaba sobrando para todos os autores dela. Isso não é justo com os bons autores. É burrice da crítica.

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    4. Astrid Underground15 de outubro de 2013 15:17

      Se esses escritores são tão bons como se presume eles deveriam evitar de trabalhar com editoras queimadas no meio literário, assim preservariam sua reputação.
      Parece um bando de morto de fome que agarra a primeira editora que lhes abre as pernas ao invés de aguardarem uma proposta decente...

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  11. Penso exatamente como a Astrid....Se eu tivesse esperado um pouco mais....possivelmente teria conseguido algo melhor, além de ter mais tempo para trabalhar na obra ....Mas não !!! Cabação , cai no conto da segunda editora que me procurou....elevando meu ego ...Hj tento participar de concursos literários como Benvirá, Sesc, Paraná ...

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  12. E analisando o cenário literário... o bafafá da vez é o encerramento das atividades da Tarja editorial. O que tem de gente idiota e comentários idiotas no facebook sobre isso é de rir! Vale uma postagem especial neste blog!

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    1. Chutenacara.com.br3 de novembro de 2013 00:38

      Não estrague a surpresa, já tem matéria sobre o assunto programada para amanhã.

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