Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Apoio (?) à Literatura Nacional.



Por Ghost Writer.

Como é possível constatar através do outro depoimento dado por mim aqui no blog, são inúmeras as armadilhas nas quais o autor iniciante pode cair e hoje quero falar de mais uma delas. 
Sempre vejo neste blog, críticas às campanhas de “Apoio à Literatura Nacional”. Hoje quero dar o depoimento de alguém “de dentro” dessas campanhas.
Pois bem, depois de toda a odisseia pela qual passei para ver meu livro ser publicado e finalmente vendido, comecei a ser assediado por blogueiros e escritores iniciantes como eu. Quero tratar desses dois públicos separadamente. Comecemos pelos meus “caros colegas”. No início, tudo lindo, tudo flores, passávamos horas conversando sobre a alegria e a satisfação de finalmente termos nossas obras publicadas, combinando de nos conhecermos pessoalmente, trocarmos livros e informações. Confesso que nessa época fiquei feliz sobremaneira, pois me sentia “importante”, fazendo parte de uma “elite pensante”. Porém, bastou que eu começasse a ler os livros escritos por determinados colegas para me decepcionar completamente. Salvo raríssimas exceções, o que encontrei foi muito lixo, obras mal acabadas, sem um pingo de originalidade, coesão ou nexo, com personagens “rasas”, insossas e relacionamentos descabidos. Não bastasse isso, comecei a presenciar esses mesmo colegas “quebrando o pau”, “armando barraco” na internet quando suas “obras-primas” eram esculhambadas (e com justas causas, diga-se de passagem). Ainda tentando preservar a fé nos escritores nacionais, comecei a participar de eventos literários Brasil afora e a coisa foi ainda mais feia. Presenciei cada cena grotesca, de carinha que publicou apenas um livro e já se achava a J. K. Rowling, que vocês nem imaginam! Sem falar nos “mendigos literários” que ficavam postando trechos e mais trechos, notícias e mais notícias sobre seus livros, abarrotando meu facebook, meu twitter e meu e-mail. Juro, um dia surtei e excluí uma dessas figuras, quando ela compartilhou uma imagem com um trecho do livro dela, onde se lia: “Caraca, fulano!” Fala sério, o que essa frase me diz do conteúdo do livro dela?! Por que esse trecho me daria vontade de ler sua obra? Excluí a pessoa sem dó nem piedade. Mas acho que a gota d’água pra mim, foi que muitas dessas figuras que me procuraram para “trocar livro”, sem ao menos me conhecerem, dizendo que estavam interessadíssimas na minha obra, quando perguntados se leram o livro, após mais de 10 meses com ele em mãos, tiveram a cara de pau de me dizer que não o leram. Poxa vida, se não iam ler o livro, por que pediram pra trocar? Eu poderia ter vendido esses exemplares e ter recuperado um pouquinho mais do dinheiro investido. Em vez disso, abarrotei minha estante com lixo literário da pior espécie – lixo que eu li, diga-se de passagem, porque tenho o mínimo de consideração, o que achei, tolamente, que todos tivessem. Mas quando paro para refletir sobre esse assunto, chego a apenas uma conclusão: alguns autores, ávidos por “livrarem-se” dos livros que ficam abarrotando suas casas, e por serem finalmente lidos, fazem qualquer negócio para que isso ocorra, inclusive trocar livros com autores que eles jamais pretendem ler.
Passemos agora a falar dos blogueiros. Basta você anunciar que vai publicar um livro que eles surgem de toda parte, propondo parcerias e tudo o mais, em troca, é claro, de exemplares de seu livro. De preferência, um para ser lido e resenhado pelo dono do blog e outro para ser sorteado, dizem eles. Ah, claro, afinal os meus livros não me custaram nada e eu estou ganhando rios de dinheiro com eles, não é mesmo? Eu sou sovina e sempre digo um NÃO enorme. Tenho uma colega que disponibilizou nada menos que 30 livros para blogs literários, mas se você for procurar no skoob pelas resenhas do livro dela, encontrará míseras 10 resenhas. Onde estarão as outras? O que houve com os outros 20 blogueiros? Pior ainda, conheço outro autor que disponibilizou algo em torno de 100 exemplares! E até hoje, só vi uma ou duas resenhas do livro dele... Algum tempo atrás, me procuraram para que eu participasse de uma promoção de livros nacionais, onde eu venderia meu livro a preço de custo e ainda contribuiria com um valor x para ajudar a custear material para a campanha da promoção. Hã? Como assim? Então é isso que os blogueiros chamam de apoiar a literatura nacional? Eles querem que o autor doe exemplares ou venda a eles a preço de custo, tudo alegando que “farão propaganda” dos livros. Mas propaganda para quem? Para outros blogueiros que também quererão adquirir exemplares sob as mesmas condições? Sem falar naquele caso já citado no meu relato anterior, onde blogueiros que diziam “divulgar a literatura nacional”, disponibilizaram o livro de uma colega para download gratuito.
Ah, aproveitando a chance, quero também falar das resenhas feitas por essas ilustres figurinhas do meio literário. Tudo bem que eles não são críticos literários profissionais, mas acredito que ao se alçarem à posição de “analistas”, eles deveriam dominar o mínimo necessário para tal. Mas não é o que ocorre. Escritas sofríveis e pessoas que não sabem discernir a diferença entre narração em primeira e terceira pessoa ou não são capazes sequer de memorizar o nome dos protagonistas das histórias são o que se encontra por aí, aos montes.
É por esses e outros motivos que cada vez mais me convenço que ao invés de gastar meu tempo e dinheiro participando de campanhas de “apoio à literatura nacional”, associando-me a escritores de talento duvidoso, devo me empenhar em escrever cada vez melhor, pois não vejo Eduardo Spohr ou Raphael Draccon participando de nenhuma campanha dessas e mesmo assim eles vendem horrores, e não porque são brasileiros, mas porque são bons.

P. S. Não pretendo despertar a ira de ninguém com esse meu texto, tampouco generalizar, “pondo todos no mesmo saco”, pretendo sim, levar autores e blogueiros a repensarem suas atitudes para com os escritores e leitores. 

Entre em contato: litfanbr@gmail.com


3 comentários:

  1. Triste, mas verdadeiro.

    Ainda hoje recebo mensagens de gente que nem conheço me oferecendo seus livros. Seria bacana se cada pessoa me mandasse uma ou duas vezes. Mas eu me refiro a gente que me colocou na sua newsletter e repete alguma oferta toda semana.

    Nunca ofereci meu livro para ser resenhado porque acredito que isso é uma forma de suborno, e porque as resenhas de blogues que eu vejo são sempre sofríveis. Nunca pedi livro para resenhar porque não quero assumir compromissos: quero ter a liberdade de falar mal se quiser.

    Aliás, eu nem participo do Skoob porque algo ali não me cheira bem.

    Acho que esse tipo de autor se ressente da falta de um fórum para discutir literatura. Ali ele teria mais visibilidade, e receberia mais críticas.

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  2. Como bloggueira portuguesa, acho que essa realidade está muito espalhada aqui :) Adorei o texto. Aqui em Portugal é um pouco mais alarmante, porque ás vezes nota-se essa falta de formação para "criticar" e já vi pessoas a escrever que o livro "ganha pontos porque é português." Ora eu não sabia que nacionalidade era factor quando se lê livros. Mas ao menos com as minhas críticas ganhei um respeito na comunidade. Adorei o blogue e vou seguir ^^

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  3. O meu caso é muito mais simples.

    Uma pessoa ofereceu para trocar divulgação de páginas do facebook e aceitei, dando uma lida na página dela e escrevendo o porque acho que o meu público também vai gostar da página dela.

    Ao visitar para ver o que escreveu sobre a minha, notei que simplesmente jogou o meu link e escreveu a "frase": CURTAM!!!

    Não me interessa divulgar por divulgar e nem pessoas que curtam a minha página sem o interesse em ler o conteúdo.
    O que aprendi é que só vou trocar divulgação se houver um trabalho mínimo em cima da mesma.

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