Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Ah, o meio literário...



Por Oscar Mendes Filho.

Quem visita o blog com frequência já deve ter percebido que o meio literário está muito longe de ser um mar de rosas.

As pessoas acreditam que adentrarão um mundo formado por pessoas repletas de bom senso, intelectualidade e honestidade.

Não é raro encontrar quem confidencie ter se surpreendido com o que realmente encontrou: egos inflados, falsidade, estrelismo, oportunismo, charlatanismo e uma infinidade de "ismos" mais.

Visto que estou inserido no meio literário já há um tempo bem razoável calejei-me em relação a muitos desses aspectos e chegou um determinado momento em que achei melhor me afastar de eventos relacionados à literatura. Definitivamente meu estômago não é capaz de suportar esses tipos de coisa.

Porém, quando acreditava já ter visto de tudo, eis que surgem novos fatos que só confirmam minhas ideias de que o meio literário está infestado de gente traiçoeira e covarde.

Não citarei os nomes dos personagens e entidades envolvidos em toda a imundície, mas será fácil identificá-los assim que eu começar a narrar os fatos.

Vamos a eles.

Tenho nove livros lançados através do Clube de Autores, esse ano lanço o décimo, sempre trabalhando de forma independente sem manter vínculo algum com editoras de nenhuma espécie, somente com o Clube, até então.

Vez ou outra alguma dessas editoras "sob demanda" entram em contato comigo convidando-me a trabalhar com elas. 

Como não atuo sob essa política do "pagou, publicou" a minha recusa sempre é certa, por mais difícil que seja entenderem isso.

Prefiro arcar com todo o trabalho de lançar um livro, ainda que ele não chegue a ter um nível profissional, mas ao menos tudo é de responsabilidade somente minha: revisão, diagramação, capa e divulgação. Somente em meu último livro tive a ajuda de uma amiga escritora, mas é uma exceção. 

Diga-se de passagem o trabalho amador de alguém como eu muitas vezes consegue ter qualidade superior ao realizado por uma dessas editoras (as matérias publicadas aqui no meu blog provam isso).

Atuo modestamente na divulgação dos meus trabalhos, mas prefiro manter um público  restrito pelo fato de atuar por conta própria do que ter que me sujeitar às falcatruas que essas editoras promovem em troca de uma prometida publicidade (que não chega a ser muito diferente da que realizo sozinho).

Mas tentarei ir direto ao ponto.

Há anos não entro em contato com editora alguma, seja pelo motivo que for, se isso ocorreu nos últimos tempos peço que leia a matéria http://www.prisioneirodaeternidade.blogspot.com.br/2013/02/oscar-mendes-filho-ii-o-pesadelo.html, onde explico o lamentável episódio que ocorreu comigo.

Serei simples e direto: não vou me prostituir lambendo ovos de editores em troca da publicação de meia dúzia de livros e muito menos pôr fim à minha dignidade para ter um espaçozinho no estande de alguma bienal.

Tem gente que faz isso e sequer se dá ao trabalho de esconder. Todo mundo sabe, todo mundo vê, e ainda assim o pobre diabo adora posar com sorriso amarelo para fotos de Facebook.

Tem editor que atropela qualquer bom senso em nome dos lucros. Promete o que é incapaz de cumprir, alicia escritores de outras editoras e chega ao cúmulo de ficar de fofoquinha entre os próprios escritores que ainda se sujeitam a trabalhar com ele. Profissionalismo zero.

E sabe por que não preciso me sujeitar a nada disso? Por que eu me dou ao luxo de não me obrigar a conviver com esse tipo de gente? Porque graças à Deus possuo capacidade de produzir trabalhos decentes.

Não preciso, e nunca precisei, ficar distribuindo tapinhas nas costas de pessoas que daqui a meia-hora meteria o pau. Ao perceber que era essa a política utilizada nos eventos literários fiz questão de me afastar deles.

Nunca tive que ficar fofocando como uma velha mijona e covarde para denegrir a imagem de algum desafeto dentro do meio literário. O mais lamentável foi ver isso acontecendo dentro de um grupo sem fim lucrativo algum. Foi motivado pela simples e pura inveja.

Quando precisei detonar alguém do meio literário assim o fiz assinando o que era de minha autoria, sem fofoquinha, sem covardia, mas como um homem. Se fofoca já fica feio para mulheres, pior ainda fica em cidadãos barbados que usam calças (e pior ainda, maquiagem o que denuncia uma certa ausência de masculinidade).

Denunciei, sim, meti o pau, mas se não fosse graças às minhas matérias é provável que até hoje ninguém tivesse recebido um centavo sequer daquilo que lhe é devido. Mas ainda assim me criticam e me chamam de troll, os mesmos covardes que se calaram quando foram tratados como débeis mentais por "organizadores de antologia".

Sou estúpido, sim, sou bem escroto, e sou mais ainda pessoalmente, mas possuo caráter suficiente para encarar quem for sem a necessidade de agir com falsidade para conseguir alguma coisa. Ando de cabeça erguida porque nunca agi com falsidade e nunca me baseei em mentiras.

Não fico implorando para que comprem meus livros, enviando spam´s, enchendo o saco em redes sociais, fazendo companhas publicitárias com camisetas, bottons, adesivos e o raio que o parta.

Eu escrevo, não sou popstar, portanto utilizo meu tempo elaborando meus trabalhos e não criando campanhas mirabolantes para empurrar meus livros nos leitores, normalmente com campanhas mentirosas.

Meu blog e o grupo dele no Facebook estão aí na rede, lê e participa quem quer.

Não vendo gato por lebre, não bato no peito como se eu fosse o melhor escritor de horror do mundo, esbravejando que meus livros são a síntese da maravilha literária. Eu apenas escrevo, meus livros estão aí, lê quem quer. Gostou do que leu? Pô, muito bom, valeu, se não gostou, paciência, não dá pra agradar todo mundo.

Aceito as críticas que volta e meia surgem, ainda que algumas me deixem um tanto puto, mas devemos ter a humildade para aceitá-las e levá-las em consideração na criação de um próximo trabalho.

Não desmereço ninguém, mas não espere que eu idolatre quem sequer sabe fazer o uso devido da língua portuguesa. Sou um "sincericida" e com a mesma facilidade que enalteço algo que me agrade eu também esculhambo quando vejo alguma cagada.

Ninguém tem que ser um Machado de Assis, mas ter a cara de pau de se denominar escritor escrevendo "fasso" é de doer a alma.

E mais enojante ainda são aqueles que elogiam esse tipo de gente em troca de alguma capa grátis para seu livro ou pela participação em alguma antologiazinha de fundo de quintal.

Dizer o que pensa não é pecado e zelar pela qualidade de algum trabalho não transgride nenhuma lei, o máximo que pode acontecer é você levar até alguma "Alice" a realidade medíocre na qual ela se encontra, e ponto.

Apesar de eu já ter escrito nove livros não imploro para dar palestras como se tivesse mestrado em literatura, como alguns "escritores de um livro só" adoram fazer. Tem um cidadão aí que, até onde sei, lançou um único livro na vida e participou de uma antologia com um conto. Não li o livro, mas baseando-me nesse conto que tive o desprazer de revisar eu não faço a menor questão. E o populacho enaltece o cara sabe-se lá Deus porquê.

Tenho uma família: mãe, irmãos, sobrinhos, cunhadas, esposa e filhos e ela graças à Deus supre todas as minhas necessidades afetivas. Tal fato me libera da obrigação de ter que ser simpático e babar o ovo de todo mundo para ter carinho e atenção. Sejamos profissionais: amigos, amigos, negócios à parte (ditado mais velho que meu avô e que muita gente parece ainda desconhecer).

Dito isso tudo (e disse pra caramba) concedo-me o direito de dar uma pequena sugestão àquele que deseja fazer parte do meio literário por algum motivo que não seja o amor pela escrita: procurem outra coisa para fazer, mas não escreva.

Não almeje ser escritor na ânsia de tornar-se popstar, famoso e idolatrado em fã-clubes. O meio literário já está saturado de gente assim que só o esculhamba.

Não queira escrever para ganhar dinheiro. Monte uma banca de tapioca ou um carrinho de pipoca. Dá menos trabalho e o lucro é mais garantido, além do que o meio literário está repleto de editoras e editores que almejam nada além do dinheiro, não dando a mínima para a qualidade do que é produzido.

Mas se deseja escrever para poder levar boas histórias aos leitores, parabéns, é o primeiro passo para desenvolver trabalhos decentes. 

Crie obras de qualidade, preze pelo bom uso do português e não entulhe a internet com a divulgação do seu trabalho. Propaganda em excesso (e pior ainda se for mentirosa) enche o saco. Um blog e uma página no Facebook estão de bom tamanho.

Sempre terá quem desça a lenha no seu trabalho, então tente aprender a separar críticas construtivas das que se baseiam apenas na inveja. Já tive trabalhos enaltecidos à exaustão e que, após divergências de opinião com "entendidos no assunto", foram criticados ferozmente. O mais curioso é que mesmo eles sendo uma merda ainda permaneceram por um bom tempo na página dos "mestres do horror". Vai entender...

Ao receber a proposta de alguma editora pesquise sobre o histórico dela e consulte outros escritores antes de assinar qualquer contrato. Isso evita desapontamento e desastres financeiros. Uma dica: leia as matérias aqui do blog, tem muita informação interessante.

Não garanto que seguindo minhas dicas você chegue a viver da literatura, como é o sonho de quem a trata com seriedade, mas ao menos terá uma consciência tranquila e poderá andar de cabeça erguida em qualquer lugar.

Entre em contato: litfanbr@gmail.com


12 comentários:

  1. Xiiiiiiiiiiii fico um dia longe da internet e perco o babado?
    Mas olha, se o grupo q vc citou for o que eu to pensando, já te adianto que a dona lá não dá a minima para diz-que-me-disse... Então, fica frio^^

    Aliás, nem dê importância.

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  2. Não precisa mesmo dizer o nome, o único sujeito capaz de escrever "fasso" e ainda bater no peito dizendo ser escritor é o pulha do Eddy Khaos.
    A propósito, desconheço pessoa para o qual puta literária se encaixe melhor.

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    1. Eddy Khaos é o palhaço da literatura nacional!

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  3. Ótimo texto! "Meu blog e o grupo dele no Facebook estão aí na rede, lê e participa quem quer." Isso é exatamente o que eu penso! Escrevo por gostar de escrever, não para "angariar fundos". Aliás quem escreve para publicar, ganhar dinheiro (se é que vale à pena) não consegue passar sentimentos para o "papel", já dizia minha professora de Literatura, que Deus a tenha. Escrever é alma, não meio de ganhar fama e dinheiro. -Minha opinião-

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  4. Ótimo texto! "Meu blog e o grupo dele no Facebook estão aí na rede, lê e participa quem quer." Isso é exatamente o que eu penso! Escrevo por gostar de escrever, não para "angariar fundos". Aliás quem escreve para publicar, ganhar dinheiro (se é que vale à pena) não consegue passar sentimentos para o "papel", já dizia minha professora de Literatura, que Deus a tenha. Escrever é alma, não meio de ganhar fama e dinheiro. -Minha opinião-

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  5. Preciso fazer um texto nesse estilo, mandou bem! Eu já desci muito a lenha nesse blog (e continuarei sempre que achar necessário), mas também reconheço quando ele acerta e, acima de tudo, admiro a coragem de fazer o que 99% prefere ver dos bastidores para não sujar as mãos - eu incluso.

    O "LitFanBR" ta ganhando ares mais sérios, especialmente quando interrompe as críticas para "guiar os perdidos". Se eu puder deixar uma sugestão, que tal um post dando continuidade aos meios de publicação e seus riscos?

    Abraços, e parabéns pelo texto!

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  6. É isso aí.
    Lave a roupa suja dos bastidores literário.
    Você falou o que muita gente vê, sente e participa, e jamais teria a coragem de dizer.
    Escritor não é profissão MESMO! E tenho horror de gente capitalista que insiste em fazer da literatura uma forma de ganhar dinheiro.
    Valeu pelo texto o/
    Adriana

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  7. O conselho para nos informarmos sobre o meio literário, seus operadores e suas leis é sensato e importante. Somente com a experiência é possível chegar a estas conclusões que nos são apresentadas. Nós só temos o trabalho de ler e aprender.

    Somos vítimas de empresas inescrupulosas, de pessoas que enaltecem o cifrão e da falsidade. A única arma que temos contra isso é o conhecimento.

    Escrever deve mesmo ser uma paixão, porque se não é, não vale a pena. Ótima matéria.

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  8. Me tomou dois dias mas consegui ler todos os posts do blog.

    Acho a iniciativa interessante embora não concorde com tudo o que aqui está retratado, principalmente quando os assuntos claramente possuem conotações pessoais.

    Como o caso do cara que escreveu errado e deveria ser comentado no máximo umas duas vezes, mas o assunto volta a tona praticamente todas as semanas.
    A língua portuguesa é a ferramenta do escritor assim como as tintas e pincéis são as ferramentas do pintor, mas não necessariamente é preciso ter as melhores marcas de tinhas para fazer boas pinturas.

    Não estou defendendo ninguém. Não conheço as pessoas e nem as obras. Só espero ver matérias mais informativas e menos parciais no futuro.

    Em todo o caso... foda-se. Muito bom o trabalho aqui exibido.

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  9. Olha, confesso que a gente se desespera quando lê seus textos, afinal, quem ama literatura quer sim viver dela. Seríamos todos hipócritas se falássemos o contrário.

    Contudo, gostei muito do direcionamento que você deu. Acredito que é bom (é um dever, na verdade) manter os pés no chão, mas esperança nunca matou ninguém.

    Beijos, e parabéns pelo texto.

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  10. Só quero te dar os parabéns pelo texto!
    Abraço.

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  11. O que mais tem no meio literario é gente vaidosa. Acham que são tudo, mas na verdade sequer conseguem pagar a conta de agua ou de luz com seus livros.

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