Literatura Fantástica Brasileira

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IV Fantasticon, lastimável!



Por Chutenacara.com.br.


No mês passado foi realizada, como todos devem estar cientes, o VI Fantasticon.
Lendo na página do evento sobre sua programação eu até cheguei a crer que o evento seria tratado com certa seriedade e que os cânceres da literatura seriam expurgados do evento.
Sorte a minha que não fiz nenhuma aposta sobre isso, eu me daria mal.
Não compareci ao célebre acontecimento, mas contatos bastante confiáveis (e diga-se de passagem, revoltados) me relataram fatos deploráveis sobre ele.
Até então acreditava-se que ele se destinava à valorização da literatura fantástica nacional onde escritores poderiam expor suas obras, conversar com leitores, participar de rodas de leitura, discussões e tudo o mais que poderia fortalecer o gênero que vem crescendo mais a cada dia.
Mas não foi bem assim que aconteceu.
Não sei dizer, e meus contatos também não souberam me explicar, se as cenas deploráveis presenciadas se deveram à falta de visão dos organizadores, ao simples apelo comercial com o qual a literatura foi tratada ou por mero descaso mesmo.
Antes de me adentrar nos acontecimentos, citarei um exemplo que ilustra bastante o ponto de vista que possuo em relação ao que veio até mim.
Um roqueiro que aprecia heavy metal precisa sair de calça de couro, camiseta surrada de banda, ter cabelos compridos, usar coturnos e passar base nos olhos? No meu ponto de vista não.
Pois é, mas foi o que ocorreu no evento. Escritores, que por mas respeitáveis aparentavam até então ser, não hesitaram em usar algo semelhante a cosplay´s para encenar cenas medíocres encima de um palco para entregar os “prêmios”, atender leitores e dar entrevistas.
Longe de mim ser preconceituoso, mas ao menos pra mim esse negócio de cosplay fica legal em adolescentes e jovens que ainda não tem muito a perder com relação à sua imagem. Cada um faz o que quer, o que acha mais legal e certo, mas na minha modesta opinião tiozões (da minha idade, inclusive) se vestindo como palhaços para atrair a atenção dos leitores e sob o pretexto de tornar o evento uma coisa mais descontraída soa ridículo demais.
Como me disseram, esses infelizes parece que não medem esforços para conseguir vender alguns exemplares de suas obras. Acho que se a ideia fosse dada eles seriam capazes de ficar até pelados no evento, caso isso aumentasse a venda do que escrevem.
Poxa, um escritor gabaritado, reconhecido e cujas obras são consideradas como algo de qualidade necessitaria se prestar a um papel desses? Longe de acreditar que fosse possível encontrar alguém ali no patamar de Poe, King e Rice, mas alguma vez em suas vidas escritores como eles se sujeitaram a algo do gênero para chamar a atenção do público?
Isso é ou não assinar o supremo atestado de incompetência? Os cidadãos, cientes da total falta de qualidade do que escrevem, apelam para esse tipo de artifício?
Muitos colegas editores e escritores com idade próxima à minha sentiram-se constrangidos ao presenciar coisas como essas e disseram sentirem-se como em um circo, uma festa a fantasia ou uma orgiazinha nerd cheia de retardados fantasiados. Sentiram-se deslocados.
Como se isso por si já não tornasse o evento um gigantesco mico patrocinado pela prefeitura de São Paulo, para acabar de vez com ele toda a corja que cansamos de excomungar aqui na página marcou presença em peso. Ou seja: de sério o evento não teve nada.
Como em qualquer outro evento promovido pela panelinha asquerosa todos se encontraram para manipular os órgãos genitais alheios sob a perspectiva de no futuro (acreditam eles não muito distante) poderem publicar suas pândegas literárias em editoras mantidas por quem se presta a esse papel ou infiltrar-se em alguma antologia meia-boca que provavelmente esteja por ser “organizada”.
Confesso que me mantive otimista em relação ao evento, mas em vão. O que se viu foi a mesma babaquice de sempre, com os mesmos palhaços imbecis e a falsidade reinante.
É lamentável, mas a cada dia mais eu acredito que o meio literário permanecerá essa zona que está hoje, para desgraça da literatura fantástica brasileira.
Lugar de palhaço é no circo.
E também o foi no Fantasticon.

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