Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Literatura efêmera...


Por Astrid Underground.



Foi-se o tempo em que os artistas (embora enquadrar alguns atuais escritores nessa categoria seja uma ofensa à classe) se preocupavam em produzir obras de qualidade, que seriam eternizadas ao longo do tempo de forma a atravessarem gerações como o clássico Edgar Allan Poe, para citar apenas um exemplo.

Hoje o que vemos são pessoas que se dedicam à literatura almejando apenas o sucesso instantâneo e momentâneo, os tão falados "cinco minutos de fama".
Elas escrevem um livro (ou participam de alguma antologia qualquer) preocupando-se apenas com a venda e o sucesso imediatos do mesmo sem se preocupar com o futuro da obra criada.
Para essa gente o que importa é o sucesso obtido nas redes sociais e nos blog´s, assim como a rápida venda do material. Para tanto, produzem obras que serão lidas apenas uma vez (se o leitor conseguir chegar ao final delas) e que nunca mais sairão de alguma prateleira empoeirada, culminando com a venda para algum sebo, onde serão relegadas ao esquecimento, ou simplesmente indo parar no lixo.
Obras que, após serem degustadas uma vez, jamais o serão novamente.

Não culpo essa gente, afinal, esse tipo de pensamento é o que impera nos tempos modernos: o de obter a qualquer preço os sonhados cinco minutos de fama.
Consumismo desenfreado? Também, faz parte da nossa cultura.
É a mentalidade em voga no meio musical, no cinema, na televisão, na internet e em diversos outros setores, todos sabemos disso, basta ver o cenário cultural brasileiro que temos hoje, no entanto, perceber que existe gente se fazendo valer dessa mentalidade dentro da literatura me causa asco.

O que me deixa boquiaberta e revoltada é o fato de esse tipo de pensamento deplorável ter se infiltrado em um meio onde, até então, as pessoas primavam pela qualidade do que era produzido.
Antigamente não se almejava viver da literatura, escrevia-se por diversos motivos: convicção, prazer, na ânsia de pregar alguma pensamento ou ideologia, etc. 
Não existiam as redes sociais e o sucesso provavelmente só chegaria até esses autores após seu falecimento (salvo raras excessões). Com pintores também acontecia isso. Poe, um exemplo que adoro citar, morreu na miséria e suas obras só obtiveram sucesso após seu falecimento.

Hoje é diferente. As pessoas querem tudo para ontem, são imediatistas e sequer passa pela cabeça desses "escritores" a idéia de que uma possível qualidade do material que possa vir a ser produzido seja reconhecida depois que estiverem comendo capim pela raiz.
Não, eles desejam ardentemente usufruir do sucesso de suas obras. Talvez por não tentarem se espelhar na vida dos gênios da literatura, também assim não o fazem na hora de criar suas obras.
Elas querem ser reconhecida e se tornarem "superstars" da literatura o mais rápido possível adquirindo, assim, fama e fortuna baseando-se em raríssimos exemplos como, por exemplo, Stephen King, que colhe os louros de seus livros ainda em vida.
Acredito que eles tenham se equivocado em relação ao ramo que escolheram para atuar.
Seria melhor, para o bem da literatura, essa gente ter decidido jogar futebol, gravar algum funk ou criar algum vídeo viral para publicar na internet. Obteriam sucesso e até ganhariam algum dinheiro com isso. 
Realizariam seus sonhos de grandeza e não emporcalhariam a literatura.

Sinto saudade da época em que as pessoas escreviam como uma forma de desabafo ou como mero passatempo, e de alguma forma o material produzido acabava caindo no gosto de algum editor e, consequentente, no do público. Isso acontecia devido à sua qualidade, ao vanguardismo ou à sensibilidade que a obra possuia, pura e simplesmente.
Hoje empurra-se qualquer coisa goela abaixo dos leitores, e uma meia-dúzia de pessoas do meio literário que se considera o supra-sumo do meio se encarrega disso. O importante para elas é que esses trabalhos tornem-se best-sellers para que assim possam conceder entrevistas aos diversos meios de comunicação, dar autógrafos, serem reconhecidos nas ruas, ganhar dinheiro e etc.

O trabalho, claro, pode ser bom (palmas para o autor nesses casos), mas o que se vê são livros mal escritos, mal revisados e mal impressos, e ainda assim sendo empurrados como obras-primas para o leitor que, inocente, se deixa levar pelas toneladas de propagandas que circulam por aí.
Esse pensamento imediatista só contribui para a degradação do meio. Os valores foram distorcidos e o gênero foi sobrecarregado por escritores e editores que pensam e agem dessa forma deplorável visando apenas interesses particulares, sem se preocuparem com o que é oferecido ao leitor.

A literatura nacional enfraquece, abrindo espaço para escritores gringos, que talvez não primem pela criatividade, mas ao menos trabalham de forma decente a língua materna e são bem assessorados.

E ainda há quem feche os olhos para tudo isso, enclausurando-se em um mundo de fantasia onde tudo é belo e perfeito, recriminando quem é capaz de ver a realidade dos fatos.
Muitas sequer escrevem, mas apóiam e idolatram esses pseudo-escritores, seja pelo motivo que for, mas fortalecendo esse tipo de conduta.

Os Lusíadas, A Odisséia, Drácula e tantas outras obras atravessaram gerações e prosseguirão dessa forma, sendo que seus autores jamais enriqueceram às custas delas e obtiveram fama somente após a morte deles.
Estou pegando pesado, afinal, presumir que uma pessoa incapaz de falar de forma decente possa criar obras dessa magnitude seja um verdadeiro devaneio.

Mas será que esses livretos que são publicados torrencialmente serão lembrados pelo menos daqui a um ou dois anos?
Duvido muito...

Entre em contato: litfanbr@gmail.com




2 comentários:

  1. Eu penso que o micro está contido no macro. Não é necessário ser um gênio para perceber que atravessamos um momento de decadência político-social (falo de meu país, o Brasil!) e isso acaba refletindo nas diversas esferas que compõe nosso todo cultural, não sendo necessário adentrar em exemplos que abundam os diversos campos artísticos - afinal, só não enxerga quem é cego ou,então, quem faz parte do mar de mediocridade que aumenta cada vez mais! É Lógico que não podemos incorrer no cruel processo de generalização porque, também, devemos louvar o jogo de cintura e a criatividade de alguns artistas que conseguem driblar e vencer as dificuldades que cerceiam grandes expoentes. Hoje, atravessamos uma época que nada mais é do que o resultado de inúmeros atentados que o sistema conseguiu infringir à Educação do povo brasileiro! E isso começou nos anos 70, depois que o governo militar conseguiu suprimir nas escolas do ensino secundário matérias importantíssimas como Filosofia, Sociologia e Psicologia , ou seja, matérias "pensantes", sem deixar de mencionar a entronização do "X" em detrimento das respostas escritas...
    Mas tenho certeza que contamos com escritores maravilhosos, sem deixar de esquecer que tudo no universo é energia que vibra - quando tivermos um público que já tem na crítica um hábito desenvolvido num sistema educacional que se preze, a seleção natural será mera consequência, não é mesmo?

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  2. "Antigamente não se almejava viver da literatura, escrevia-se por diversos motivos: convicção, prazer, na ânsia de pregar alguma pensamento ou ideologia, etc."

    Interessante que eu não cogito em ficar famosa ou ganhar muita grana com a literatura. Escrevi o primeiro livro por razões pessoais, pra exorcizar certos "demônios" e pra ver se eu conseguia fechar uma trama sem discrepâncias. Foi também um desafio mental. Eu não ia publicar, mas recebi incentivos e decidi parir a criança. Se essa criança é bonita ou feia, as opiniões divergem, é normal. Porém, eu gostei de todo o processo de "gestação", confesso.

    Eu li alguns livros nacionais novos e alguns me surpreenderam muito positivamente. Não sou inclinada a tramas de anjos, vampiros, demônios... prefiro as de suspense e policiais e estas deram conta do recado. Claro, todos precisam aprimorar seus trabalhos, mas mesmo para iniciantes ou não renomados, eu gostei do que li.

    Creio que o modismo seja nocivo, pois todos passam a querer escrever sobre o "must" do momento, mesmo que nada entendam sobre o assunto. Contudo, o fato de a pessoa estar começando não significa que não tenha um futuro promissor. O problema é que (Lei de Murphy, talvez? rsrsrs) as obras ruins chegam antes aos leitores e fica difícil limpar a má impressão causada.

    Rezando por dias melhores!

    Fê.

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