Literatura Fantástica Brasileira

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Crítica aos blogs de resenhas literárias.




Por Eduardo Jauch.



Antes de iniciar o Escrevivendo, decidi que, entre as coisas que eu não publicaria aqui, estavam as famosas “resenhas literárias”.

O motivo é deveras simples.

Sou um leitor assíduo de blogs. Mas como não tenho todo o tempo do mundo, procuro escolher minhas leituras com cautela. Ou seja, leio apenas o que me interessa sobremaneira.

Por outro lado, estou sempre em busca de novidades. Sendo assim, quando me aparece pela frente um endereço de um que eu ainda não tenha visitado, dou uma passada para conhecer. Se for interessante, vai para o meu leitor de feeds RSS, oLiferea.
Vez ou outra, o que eu acabo encontrando é um MALDITO blog de resenhas literárias.

Não há nada que eu despreze mais, na blogosfera, do que estas aberrações. Com raríssimas exceções, como é o caso do Lâmpada Mágica, do Jorge Candeias, se eu pudesse, explodiria cada monstruosidade dessas que me aparecesse pela frente.

Mas porque tanta raiva, pergunta você. E eu, educadamente, respondo.

Via de regra, estes são espaços onde o responsável vendeu a alma ao diabo, a troco de receber livros de forma “gratuita”, ou na esperança de consegui-lo algum dia. Sua parte no acordo é simples: fazer resenhas de obras literárias, independente das temáticas, para uma ou mais editoras.

Apesar de todos dizerem que não, está implícito no acordo que as resenhas serão sempre positivas. Esporadicamente, uma pode até ter um certo ar de “crítica”, que, na melhor das hipóteses, pode ser taxada de aguada e abafada, para não enfurecer os editores e assim continuar a receber livros. Estas resenhas “menos positivas” tem a importante função de dar alguma credibilidade ao “trabalho” ali realizado. O fato é que a maioria delas (apenas para não dizer todas), de crítica não tem nada. Por vezes fica mesmo muito difícil de acreditar que chegaram a ler o livro.

Muito obrigado, mas propaganda já encontro o suficiente em minha caixa do correio, todos os dias.

A grande questão é que essas “resenhas” são muito, mas muito ruins. Diria mesmo nocivas. São feitas sem critérios, por pessoas que, provavelmente, não tem formação para avaliar tecnicamente um texto literária, induzindo um potencial leitor que confie neles a acreditar que a tal obra é a oitava maravilha do mundo. Tudo com um ar de “isso é só a minha opinião”. Junte ainda a isso o volume avassalador de artigos sobre livros totalmente irrelevantes, vomitados sem cerimônias, dificultando que as poucas boas obras cheguem até o conhecimento do leitor que, por acaso, tenha coragem de se aventurar por esses espaços tenebrosos.

Não podemos nos esquecer que o nosso tempo de vida é limitado e não deveríamos ler “qualquer coisa”. É preciso ter critério em nossas escolhas, e essa montanha de ruídos não ajuda em nada.

Em suma, estão causando muito mais estragos do que incentivando bons hábitos de leitura. Tudo em troca de alguns livros, em que a maioria não vale o papel em que foi impresso.

Se você é dono de um destes blogs, espero que você queime no mármore do inferno! E se você tem um blog destes e eu te conheço, vou adotar a filosofia do Tibor Moricz. Da próxima vez que nos encontrarmos, vou levar um porrete para, carinhosamente, ajuda-lo a enfiar um pouco de juízo na sua cabeça.

E porque eu não suporto encontrar essas irrelevâncias pela frente, obviamente que não farei o mesmo.

Mas não vou deixar de comentar sobre uma obra, seja um livro, uma música, ou qualquer outra coisa que tenha me impressionado de forma mais contundente. O Escrevivendo é um espaço criado, entre outras coisas, para isso mesmo: compartilhar com vocês aquilo que eu julgo ser bom.

Mas jamais será uma resenha, porque para fazer algo deste gênero, bem feito, é preciso ter uma formação que eu não tenho. Será sempre, e apenas, uma conversa sobre aquilo que me atraiu na obra e que me levou a querer que vocês a conhecessem, mais alguma coisa sobre o autor da obra, tradutor, revisor, sobre capa & artistas, etc. Ou seja, dar a conhecer algo, da mesma forma como eu gostaria de ler sobre coisas que eu não conheço.

Por fim, para reforçar, vocês encontrarão aqui apenas aquelas obras que me causaram impacto a sério. Se você é escritor e a sua obra não está aqui ainda, ou se nunca vier a estar, pode ser porque eu ainda não tenha lido, porque ela, mesmo sendo uma boa obra, não me causou nenhum tipo de reação especial ou, como muitas vezes é o caso, porque é mesmo ruim.

Mas isso não é o fim do mundo. Nem sempre a gente acerta. E o meu gosto não é a verdade universal.

A propósito, o próximo artigo será sobre um livro. ;)

Acompanhe, também, o blog do autor: http://escrevivendo.terrasdejauch.com/

Entre em contato: litfanbr@gmail.com




2 comentários:

  1. Eu tenho lido este blog e encontrado informações realmente valiosas. Mas desta vez terei que discordar. Os argumentos expressos neste post são válidos, de fato, mas é necessário observar esta realidade dos blogs de resenhas por outro ângulo:

    A grande maioria dos autores destes blogs são adolescentes ou jovens que acabaram de entrar na faculdade. Eles podem não mudar o mundo ao escrever um blog que só fala bem de qualquer livro, mas com certeza estão fazendo um favor a si próprios: estão lendo os livros!

    É claro que eles não possuem a formação necessária para fazer uma resenha profissional, mas todo profissional já fez uma resenha amadora. É preciso começar por algum lugar!

    Seria uma crueldade virar para um adolescente e dizer: "O que você faz no seu blog eu faço na privada!" Em vez disso, precisamos incentivá-los a continuar lendo os livros, porque o senso crítico vem com o tempo.

    Abraços!

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    1. Olá Karen :)

      Eu realmente fui muito passional neste artigo, algo que tentei "remediar" com um segundo, aqui:

      http://escrevivendo.terrasdejauch.com/critica-aos-blogs-de-resenhas-literarias-ii/

      Não tiro uma única vírgula do que você escreveu. Mas se me permite acrescentar, à título de pequeno esclarecimento, a minha angústia não é devida aos blogs literários "no geral", mas principalmente aos blogs literários que fazem parcerias com editoras, em que os blogueiros recebem livros para "resenhar".

      Bom, independentemente da qualidade da resenha, que não é apenas uma questão de formação "oficial", mas também de experiência de vida, capacidade crítica, etc, penso, como disse no segundo artigo, que é preciso haver "distanciamento" para evitar ao máximo influências externas que deturpem a própria visão da obra.

      Receber um livro de uma editora, para resenhar, dentro de um "acordo", é jogar ao alto esse distanciamento. Ou pelo menos colocá-lo em xeque. E pessoalmente já vi muitas resenhas falando maravilhas de livros que na realidade são muito fraquinhos, tanto em termos de história em si, o que já é algo muito pessoal, admito, mas onde podemos observar questões como o uso de clichês, criatividade, coerência dentro do próprio universo da história, etc, quanto também a questão da construção das frases, a escolha das palavras, etc.

      Para a editora, o negócio é bom, pois se o blogue é muito visitado, ela sempre ganha mais visibilidade. Mas o leitor, de certa forma, pode estar sendo enganado (como acontece muitas vezes).

      Esse é o ponto que eu queria ressaltar, e que a minha "emotividade" acabou transbordando para todos os lados nesse artigo :)

      Convido-a novamente a ler o segundo artigo :)

      http://escrevivendo.terrasdejauch.com/critica-aos-blogs-de-resenhas-literarias-ii/

      Abraços!

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