Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Dicas para leitores desavisados e editoras parasitas.



Por Chutenacara.com.br.

Creio que 99% das pessoas concorde com a máxima que diz: "quantidade não é sinônimo de qualidade", estou certo?
Como leitor e profissional envolvido com o meio literário, acredito que sim.
No final do ano, em redes sociais, acompanhei muita gente relatando a lista de livros lidos por elas, e os números citados me surpreenderam.
Percebi que muita gente leu quase cinqüenta livros em 2011, uma marca que estive bem longe de atingir, mas devo reconhecer que invejei esses "leitores compulsivos".
Bem que eu gostaria de atingir uma marca dessa amplitude, no entanto minha atribulada vida não me concede essa perspectiva.
Mas surgiu-me uma dúvida: algumas pessoas leram essa enorme quantidade, mas que tipo de livros será que elas leram?
Cada um possui seu gosto próprio, isso é óbvio, e quem sou eu para criticar? Cada um lê o que, como e onde quer.
Não é segredo que os livros mais vendidos figuram na categoria de "auto-ajuda", o que indica que as pessoas consomem esses livros sem pestanejar.
Sou sincero em dizer que considero essa categoria como "lixo literário", assim como as obras do aclamado (????) Paulo Coelho, que transforma em romances e, consequentemente, best sellers histórias que facilmente poderiam ser resumidas em uma dúzia de páginas, mas enfim, nada como possuir um "nome" e o famigerado "Q.I.".
Não estou dizendo que essas pessoas recordistas em leitura apreciem a categoria que citei, mas é um caso a se pensar, visto que uma coisa puxa a outra: livros mais vendidos com leitores recordistas em livros lidos. Há certa lógica, não?

Enfim, o ponto ao qual quero chegar é o de que não adianta nada as editoras jogarem nas livrarias toneladas de títulos, sem que eles possuam uma qualidade razoável.
Muito se fala a respeito do "boom" que o gênero "literatura fantástica" obteve nos últimos tempos, mas acredito que isso se refira à quantidade gigantesca de livros publicados, e não à qualidade dos mesmos.
Publicar um livro hoje em dia é relativamente fácil, desde que o autor possua os quesitos monetários necessários para isso, de forma a entrar em esquemas de co-participação que são muito utilizados.
É o surrado esquema do "pagou, ganhou", ou seja, desde que o escritor possua a quantia solicitada pela editora ela não se aterá à qualidade da obra.
Daí despejam-se resenhas e anúncios cansativos em blog´s, redes sociais e toda a sorte de marketing digital disponível tentando convencer o leitor de que a obra merece ser lida (leia-se adquirida).

As pessoas no Brasil já não possuem o hábito de ler, e quando decidem fazer isso, angariam fundos para adquirir uma obra que certamente as fará arrepender-se até o último fio de cabelo.
Sendo assim, numa próxima ocasião, ao invés de gastarem seu dinheiro em uma obra que só lhe terá serventia ao ir ao banheiro, elas preferirão comer uma pizza ou ir ao cinema, pois julgarão estar empreendendo seu dinheiro em algo que realmente vale a pena. (E papel higiênico é mais barato que essas porcarias literárias que são incansavelmente publicadas).

Mas quem perde com isso?
Quem perde são os escritores que produzem obras de qualidade e que não se dedicam a empurrar garganta abaixo as obras produzidas, e também o leitor, que deixará de ler algo que valha a pena.

Basta acessar a internet para constatar que em cada esquina surge alguma pessoa que se julga capaz de escrever um bom livro. A quantidade de material publicado é enorme, mas e a qualidade?
As editoras deveriam deixar um pouco de lado o imediatismo financeiro e começar a refletir sobre essa questão, visto que se publicassem trabalhos que realmente valessem a pena ser lidos, fidelizariam os leitores, no entanto ocorre o contrário, elas os perdem, pois não mais comprarão um livro pelo trauma sofrido.

Então, finalmente, fica a dica aos leitores: antes de se deixarem levar pelas torrenciais propagandas enganosas que circulam por aí, dediquem alguns minutos em pesquisar acerca dos autores. Investiguem os blog´s dos mesmos, leiam um pouco do seu material gratuito, e caso ele o agrade, então adquiram seus trabalhos.

O dinheiro é muito suado para ser ganho e não deve ser destinado a encher os bolsos de gente que se preocupa apenas com quantidade, não com qualidade.

Entre em contato: litfanbr@gmail.com


2 comentários:

  1. Acabei de conhecer o blog, por indicação do Vergonha Literária. Eu dei uma olhada rápida nos posts (vou deixar para ler melhor depois porque estou no trabalho agora) e esse me chamou a atenção.
    Ano passado li exatos 100 livros e dentre eles não estava nenhum livro de auto-ajuda ou Paulo Coelho. Mas é verdade que também não tinha nenhum livro de filosofia! rs...
    Os livros que li? Na maioria livros infanto-juvenis ou jovem-adulto. Muito sobrenatural, alguns policiais, aventura, humor.
    Mas por que ler esse tipo de livro e não os grandes clássicos? Porque enquanto leio não quero pensar! hehehehe Costumo brincar dizendo que a leitura é meu momento novela.
    Eu sou advogada, trabalho o dia inteiro lendo e escrevendo sobre os problemas mais bizarros possíveis. Quando chego em casa quero uma história bobinha para relaxar!
    Bom, desculpe o tamanho do texto, mas queria só mostrar um novo ponto de vista: leitura pode e deve ser usada como forma de diversão e não só como forma de adquirir conhecimento! rs...
    Beijos
    Camila - Leitora Compulsiva

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  2. Olá Camila.
    Concordamos contigo, a literatura é uma ótima forma de lazer.
    Quando "crucificamos" os livros de auto-ajuda é porque para os escritores, eles são como o pagode o é para quem compõe música clássica.
    Mas todas as pessoas são livres para apreciar aquilo que mais lhes agrada, seja um clássico literário, um livro infanto-juvenil ou até mesmo um de auto-ajuda, afinal, estamos em uma democracia, regime político no qual nos embasamos para expressar nossas opiniões aqui no blog.
    Obrigado pela visita e volte sempre.

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