Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Patologias literárias.



Por Astrid Underground.


A Inércia Mental.

Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele.” – primeira lei de Newton.

Conhecendo-se a designação do que é “inércia” fica mais fácil compreender o que seria a tal “inércia mental”.
E o povo do meio literário segue a risca essa lei.
Pois é, parece que eles seguem uma tendência imutável, até que alguma “força externa” os force a abandonar a linha de pensamento que possuem, como por exemplo, alguma obra literária estrangeira que esteja fazendo sucesso.
Na ânsia de seguir na cola de tais obras os autores passam a seguir a mesma tendência, muitas vezes se esquecendo de que as obras originais (por piores que possam ser, como as obras crepusculianas, por exemplo) sempre são melhores que as porcarias que eles escrevem, principalmente por serem originais.
E assim seguem lançando obras solo e organizando antologias que abordam o tema em voga, cada qual, sob seu olhar distorcido, que só avacalha com o que já é terrível.
Mas não se engane, são obras primorosas, como podemos averiguar através das resenhas publicadas em blog´s e sites por membros da panelinha literária.

A Esquizofrenia Literária.

O termo "esquizofrenia" foi criado em 1911 pelo psiquiatra suíço Eugem Bleuler com o significado de mente dividida. Ao propor esse termo, Bleuler quis ressaltar a dissociação que às vezes o paciente percebia entre si mesmo e a pessoa que ocupa seu corpo."

Outro mal que assola muitos autores que vejo por aí.
Os portadores dessa patologia possuem o hábito (algumas vezes até cômico) de assumir a personalidade dos personagens que cria.
Pelo meio literário, principalmente na litfan, é fácil encontrar condessas de sangue, lordes vampíricos, licantropos terroristas, zumbis urbanos, demônios encarnados em humanos, samurais suburbanos, gueixas funkeiras e toda a sorte de figuras que, graças à fraqueza mental dos portadores dessa patologia, abandonam as páginas dos livros e ingressam no mundo real.
Se fosse apenas marketing, tudo bem, seria válido, mas não acredito que se trate apenas disso, pois se assim o fosse, esses “autores” se portariam de forma normal quando fora de eventos literários, e o que vejo é que no dia a dia eles permanecem assumindo a figura do personagem (ou dos personagens) que criaram.
Se é para reforçar seus personagens que tal escrever de maneira mais convincente ao invés de se portar feito um palhaço?
Já acho bem estranho encontrar quem se considere um vampiro, um lobisomem, uma bruxa e etc, mas no caso de leitores isso é mais relevável, visto que são mais influenciáveis. Tem gente que se considera até mesmo o Rambo, a Barbie ou o Bruce Lee após assistir filmes, por que não haveria os que assumem o papel de seres inerentes à litfan? Só que em relação aos escritores isso acaba por se tornar ridículo uma vez que eles embarcam na fantasia criada por eles mesmos.

A Megalomania Autoral.

“Megalomania é um transtorno psicológico no qual o doente tem ilusões de grandeza, poder e superioridade. É uma característica do transtorno afetivo bipolar. Também se caracteriza pela obsessão em realizar feitos e atos grandiosos.

Talvez a mais comum das mazelas que assolam os escritores, particularmente da litfan.
Pouquíssimos autores se contentam em criar uma obra ou organizar um trabalho com os pés devidamente no chão, cientes da condição literária brasileira e dos anseios dos leitores.
Criam seus trabalhos guiados somente por seus egos e convicções, absolutamente certos de que o que fazem é primoroso.
Já criticou a obra de algum deles? Tente fazer isso e verá a psicose com a qual eles lidam com esse fato. Não, eles são os senhores supremos da escrita e suas obras, inatingíveis. São superiores a qualquer tipo de crítica e devem ser idolatrados como deuses dentro do meio. Alguns assumem a posição de “deus das antologias picaretárias”, outros são os “senhores do mito vampírico” e ainda há os que se pronunciam como “detentores da verdade literária”. Ingressar nesse panteão de entidades? Nem pense nisso, você é um reles leitor mortal ou escritor de segunda categoria (você não se encontra dentro do círculo literário).
Como se vê, por vezes, o mundo literário por trás das cortinas de eventos simpáticos e acolhedores está repleto de gente doente e que necessita de tratamento, em alguns casos, até mesmo de internação.

Entre em contato: litfanbr@gmail.com

3 comentários:

  1. Bem, nunca testemunhei um indivíduo com a tal "esquizofrenia literária" que você desenvolveu, talvez por ser algo mais difícil de ser visto por aí (ou eu talvez não conheça tanta gente assim).
    No entanto, a "inércia mental" é plenamente explicável: oportunismo é a alma do negócio. Isso também acontece na TV. Se um programa faz sucesso, uma dezena de clones mal-ajambrados pipocará na sequência de meses.

    Finalmente, a "megalomania autoral" é típica do meio literário. Conheci diversos autores com o rei na barriga (ou cabotinos, como Carlos Drummond de Andrade definiu em seu texto "A um jovem", em que dá conselhos sobre a arte da escrita).

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  2. Boa tarde Alforje, agradecemos sua visita e concordamos com suas sábias palavras.
    No entanto, em relação à "esquizofrenia literária" basta aguçar os olhos e verá elementos que se consideram lord´s, samurais e o diabo a quatro.
    Parece que eles se deixam levar pelos personagens e universos que criam, o que não acontece com os leitores de suas pobres obras.

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  3. Eu me assusto um pouco com esse lance de alguns autores se acharem realmente vampiros, bruxas etc. E estou falando sério. Não acho necessário incorporar o gênero, a não ser, como exposto, para divulgações em eventos. Se fosse assim, já que escrevo sobre crimes, em especial homicídios, eu me tornaria uma Serial Killer? #tenso

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