Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Pagando o pato.



Por Oscar Mendes Filho.


Vou relatar a péssima experiência que tive com o primeiro trabalho meu publicado por uma editora.
Fui convidado para fazer parte de uma antologia cujo tema logo de cara me pareceu muito atraente. O texto deveria ser escrito em tempo recorde uma vez que a pessoa que estava organizando a obra tinha pressa em publicá-lo.
Pesquisei sobre o tema, que não conhecia muito bem, e desenvolvi meu texto baseando-me no que pude encontrar.
Tudo parecia ótimo. Não me foi cobrado nada e não teria despesa alguma com a obra. O sonho de todo escritor iniciante que não encontra espaço dentro do mercado literário.
Comecei a achar estranho quando me foi solicitado que revisasse as obras de outros autores que participavam do livro. Ora, o trabalho de revisão não deveria ser feito por quem estava organizando? Pois bem, eu revisei o que me foi passado, até mesmo porque aprecio o trabalho de revisar textos. Fiquei perplexo com a qualidade do que li. Quem escreveu aquilo não deveria conhecer as ferramentas de correção do Word, mas enfim, ninguém tem a obrigação de ser um expert em informática. E se a pessoa que organizava a obra o havia convidado, ele deveria ter lá seus méritos.
Meu problema era criar meu conto, nada além disso, coisa que fiz prezando sempre pela qualidade. O restante da dor de cabeça que ficasse a cargo de quem era de direito.
Não vi com bons olhos, ainda, o fato de a pessoa organizadora ter solicitado, algum tempo depois, que a revisão fosse realizada por outra pessoa. Parece que a que havia sido feita não agradara, como se textos ruins fossem passíveis de melhorar com uma revisão, mas enfim..
A editora escolhida para arcar com a publicação era totalmente desconhecida dos participantes, mas quem estava organizando se fiou nela, ótimo, o jeito era esperar que tudo desse certo, afinal, encontrar uma editora é o mais difícil.
Até mesmo patrocinadores para a obra foram obtidos, que teriam suas marcas impressas no livro, tudo estava correndo bem demais.
A coisa se complicou às vésperas do lançamento.
Como escritor novato era impossível esconder minha ansiedade em ter a obra em mãos, e aguardava o anúncio da data para finalmente ver meu trabalho como parte de uma obra impressa.
Outros amigos faziam parte do projeto e um deles (que já possui obras publicadas) me informou que, em contato telefônico, a pessoa que organizava o trabalho o havia informado de uma data X.
Corri em anunciar essa data no meu blog e nas redes sociais.
Meu espanto foi quando essa pessoa que organizava o trabalho veio com sete pedras para cima de mim dizendo que eu estava divulgando uma data inexistente.
Mas quem foi que me passou a data incorreta? Por que ela não foi tirar satisfação com essa pessoa? Não, fica bem mais fácil apedrejar alguém que não possui nenhuma influência no meio.
Fui tratado sem nenhum respeito e meu nome começou a rolar na boca do povo. Por mim tudo bem, isso sempre aconteceu, não era surpresa alguma. A máscara começou a cair.
Ocorreu então o lançamento, quando a data finalmente foi divulgada, mas eu já não sentia aquele entusiasmo inicial, mas compareci, visto que sou um profissional e não me ausentaria do lançamento do trabalho do qual fazia parte.
Todos os amigos participantes autografando os livros um do outro, mas a pessoa que o organizou (que eu sequer sabia ser escritora) virou as costas para mim quando fui solicitar seu autógrafo. Pois bem, ninguém é obrigado a gostar de mim, assim como nem eu de gostar de alguém.
Os dias foram seguindo após a obra ter sido lançada, e sem falsa modéstia, meu conto foi um dos mais elogiados dentro dela. Isso parece ter irritado algumas pessoas.
Outros lançamentos da obra ocorreram, em diversas cidades do país, mas nenhum dos autores foi chamado para participar delas, pois não havia fundos para isso. Só participaram aqueles que residiam no local do evento. Perguntei-me, como outros autores também o fizeram, de que forma havia então acontecido o patrocínio da obra? Se não se dispunham a arcar com as viagens dos autores, que tipo de patrocínio foi aquele? Tudo bem, não seria justo eu “o criador de polêmicas” que levantaria a lebre, deixei rolar.
O tempo passou e organizei então uma antologia de aniversário para meu blog, que completava cinco anos de existência, e qual foi minha surpresa quando a pessoa que organizara a famigerada obra novamente me apedrejou, dizendo que eu era ingrato por não tê-la convidado. Ora, se a obra era minha, eu era o responsável por “recrutar” autores de qualidade para a mesma, visto que meu nome e o do meu blog estavam em jogo (hoje sei que não me dei muito bem nesse processo).
Aí sim a verdade surgiu. A tal pessoa organizadora abriu o jogo e disse que havia me feito um favor em deixar que participasse do seu livro. Favor de quê? Alguma vez eu havia implorado para alguém me deixar participar de alguma coisa? Estava eu publicando meu trabalho no meu blog e lançando meus livros de forma independente quando fui convidado, de quem foi então a iniciativa? Minha?
Ela disse ainda mais, mencionando que próprios “amigos meus” dentro do meio a haviam alertado de que eu causaria problemas e que, na ocasião da confusão da data de lançamento, orientaram-na a me excluir do trabalho. Mas quem seriam essas pessoas? Eu já havia participado de alguma antologia para que alguém pudesse me julgar?
Pois é, o barato sempre sai caro, amigo leitor.
A prova de que não sou o causador de problemas está aí, em tudo o que aconteceu, assim como o fato de que muitas pessoas que participaram da obra também se desentenderam com a pessoa que a organizou. Parece que o problema não sou eu, portanto.
Isso tudo é partilhado pelos amigos que tiveram a infeliz idéia de aceitar o convite para participar desse trabalho, mas que por motivos próprios não fala isso abertamente.
Não tenho medo de represálias que possam acontecer, até mesmo porque nada do que relatei foge à verdade.
Só acho uma pena existirem pessoas que se dispõem a aturar esse tipo de coisa na ânsia de atingirem a glória literária.
Serve como exemplo para todos os escritores novatos que se sentem atraídos por falsas promessas.
Estejam atentos, selecionem bem o trabalho no qual ingressarão, para que não colham problemas no futuro, como eu.
“Sempre desconfiem do excesso de bondade gratuita."

Entre em contato: litfanbr@gmail.com



2 comentários:

  1. Acredito que haja, sim, é muita infantilidade nesse meio.
    Infelizmente, muitos ainda acreditam que 'escrever' é apenas uma diversão, um massagear de ego. No momento que encararem que isso é um trabalho tão sério quanto outro, que é uma Profissão, as coisas não acontecerão mais desta forma.
    Pena que vc não possa citar nomes...

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  2. Obrigado pela visita Pat.
    Se lhe interessam informações mais detalhadas, entre em contato conosco por e-mail.
    Teremos prazer em sanar suas dúvidas.

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