Literatura Fantástica Brasileira

Literatura Fantástica Brasileira

Eu, escritor: Cara de palhaço!



Por Geyme Lechner.


Faz dois anos que me dedico exclusivamente à literatura, de manhã até a noite, escrevendo livros, fazendo contatos, estreitando laços de amizade (e inimizade também) – confesso que as inimizades e antipatias que criei em meu circulo (ou que fechei) foram maiores que as amizades conquistadas. Em dois anos, ademais de praticar e exercitar cotidianamente a escrita, conheci o universo dos aspirantes a escritores e a vaidade artística que os cerca (altamente patológica) que até então desconhecia.
Gente, na boa, algumas pessoas cultivam o sonho de serem “celebridades” e escolheram a literatura para alcançarem seus objetivos de “estrela”. O foco: “ter uma boa estória para contar e saber como conta-la” ficou em segundo plano, o negócio é publicar um livro (tendo este qualidade ou não) e sair por aí se aparecendo!
Tenho ficado com aversão de algumas redes sociais, pois nelas,não somente a vaidade se concentra, como também a competição e inveja se multiplica e propaga.
Quer um exemplo de que ser “escritor” é símbolo de status? Citarei vários:
Hoje em dia até blogueiros se consideram escritores, gente que auto publica três páginas com uma editora qualquer também é escritor, pessoas que publicaram um livro e nunca mais escreveram nada já se proclamam escritores. Caramba, que profissão mais banal e corriqueira! Sequer precisamos de diploma universitário, bagagem e experiência! Somos todos autores!
E o que esses novos “escritores” fazem quando tem uma (ou algumas poucas) obras em mão? Criam blogs que divulgam seus livros, colocando no título de suas páginas pessoais na internet: “Eu, escritor, revelação da literatura nacional! Visto como um dos melhores romancistas do mundo!” (What??? Será que eles tiram essa “informação” do New York Times?)OK! O mundo não deve ser tão grande quanto pensamos e nem as pessoas tão inteligentes...
Confesso que tenho vontade de arrancar os olhos quando vejo tais bobagens escritas por aí... Escritores de primeira viagem quebram o maior barraco quando blogs literários criticam suas obras, outros, empurram seus escritos goela abaixo dos leitores, vendendo-as como: “Você vai AMAR meu livro!”. Escritores que se prostituem escrevendo temas que estão na moda e fazem sucesso, mudando apenas o nome dos protagonistas e o cenário, mas mantendo o tema (que está vendendo no mercado) fiel, alegando: “Minha obra é totalmente DIFERENTE das demais...”... Escritores fazendo fã clubes com seus nomes, distribuindo bottons e camisetas com suas carotas pintadas nas estampas, escritoras pedindo para serem chamadas de divas e escritores se achando galãs... Até os perfis do Facebook estão escritos na terceira pessoa, como se a Wikipédia os tivessem registrados (e não a própria criatura)! Atrás do nome do fulano, costuma vir o pseudônimo: “escritor”: Maria escritora. João escritor. Bobo da corte (também escritor)!
Os novos escritores perdem mais tempo em publicidade do que em produzir obras com qualidade. A preocupação de divulgar caras e bocas é mais importante do que escrever textos, escolher temas e aprimorar a técnica da escrita.
Sugiro que armemos um circo, que pintemos nossos narizes e corramos para o picadeiro, mostrar nossas habilidades de palhaço!
PS: Eu também canto no chuveiro e quando estou feliz, mas nem por isso acredito que sou cantora profissional e saio por aí, divulgando tal informação...

Entre em contato: litfanbr@gmail.com

5 comentários:

  1. Ri muito com o texto...
    Não concordo 100%, porque a divulgação de uma obra é importante e quando se é iniciante, ela fica mesmo por conta do autor.
    Mas concordo quando criticam algumas posições... Já vi autor iniciante dizendo que seu livro era melhor do que alguns muito famosos por aí... Claro que isso seria estranho dito por qualquer um, mesmo um autor consagrado falando assim de sua obra me causaria certo estranhamento...

    Beijos,
    Nanie - Nanie's World

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  2. Ótima reflexão. Acredito também que tudo em demasia é exagero, mas não acho errado o autor ter lá sua página, seu contato, seu blog e maneiras de estreitar o contato com seus leitores.

    Compreendo o exagero denunciado no artigo e comungo da mesma opinião. Não podem os autores terem o ego maior que suas obras.

    Um abraço.

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  3. Oi, Geymoca!
    Não vou falar muito pq vc sabe bem como eu penso e como vejo este "novo movimento da literatura brasileira". A gente até já fez um texto sobre as editoras sem editores, etc e tal.
    A autopromoção está na moda, os superlativos tb, assim como a sede de ser "celeb". Sucessos como HP, Crepusculo e os livros do Dan Brown passam a idéia de que vender livro é como ganhar na loteria e, claro, todo mundo quer tirar a sorte grande. O que eu acho realmente preocupante é este posicionamento pesosal, este comportamento de divas e divos, esta sede de auto-afirmação (não sei mais usar o ifem)só pq escreveu um livro. E daí que escreveu? Grande coisa! Isso não é motivo pra ninguém se sentir ou se achar melhor do que ninguém.
    Começa a ficar perigoso e virar doença social esta urgência que se percebe nas pessoas de serem reconhecidas pelo mundo, como se o fato de o mundo inteiro dizer que elas são boas as fizesse se sentir melhor consigo mesmas, pois não conseguem recursos internos para isso...
    Como falou o falecido Jefferson Perez por ocasião da CPI do Mensalão, citando a letra da música: "tudo isso existe, tudo isso é triste, tudo isso é fado"
    Assino embaixo cada palavra sua e até acrescentaria outras por conta própria..rs.

    beijão no core.

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  4. Complicado...

    Entendo que haja a necessidade de crescer no mercado literário, a gana do sucesso, mas você deve ter potencial para isso.

    O problema, entretanto, é que se há quem faça é porque há público para isso.

    É como a música! Produzir música de qualidade no Brasil serve para quê? Para hobby, no máximo, pois você não lucrará com isso.

    Aí é uma questão mais ampla: a culpa não é apenas desses que se entregam a tais papeis, mas também do meio, que é propício à sua proliferação...

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  5. Meu Deus, maior verdade que já li nos ultimos anos.

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