Literatura Fantástica Brasileira

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Diarréias mentais no mundo literário – Parte II Sobre livros, Skoob e Skoobeiros.



Por Geyme Lechner.


Acredito que o Skoob virou uma febre nacional, tanto para aqueles que gostam de livros como aqueles que fingem gostar. É uma forma do cidadão se mostrar literato e culto de diversas maneiras, sendo ao marcar 1300 livros para ler contra os 12 que leu. No Skoob encontramos resenhas muito boas de livros muito bons, mas também: resenhistas muito ruins, no estilo: “Esse livro é um lixo!”.
Nessa rede, encontramos também os falsos puritanos: leitores que se chocam com a linguagem de uma obra, quando o tema escancara: sexo, palavrão e violência. Ora pois, não entendo o cidadão que opina por lá e comenta... Sexo é o tema que movimenta a massa e sustenta a mídia (quem ainda não sabe disso?).
Sem querer falar em “metas de leitura”, reli e devorei em alguns meses, livros que poderia escrever dias a fio sobre eles. Após ler a trilogia do Stieg Larsson - sobre tráfico de mulheres e espiões russos(apesar de não ser meu estilo de leitura), afirmo que ela prende do começo ao final. Alguns Skoobeiros - que de literatura entendem pouco, mas de escolhambação entendem muito - sequer perdoaram a morte do escritor poucos meses depois da publicação da terceira obra da trilogia, e o atacaram em suas hemeses cerebrais, com diarreiascomentários pertinentes, tais como:
“Ainda bem que o autor morreu...”.
Um comentário desses, só pode ser de alguém que pensa mais ou menos assim: “Morreria para ter um livro publicado, mas não tenho capacidade intelectual, por isso vou detonar quem a tem!”.
Voltando aos alhos e bugalhos... Há 15 anos, tentei ler o Retrato de Dorian Gray e não consegui dado a minha imaturidade. Na época, achei o linguajar muito fresco e desisti. Hoje, eu o recomendaria sem pestanejar. E não por ser um “clássico”, porque as pessoas gostam muito dessa palavra para se auto “eruditarem”. Dorian Gray é um personagem narciso, complexo e promiscuo, e seu criador: Wilde é um mestre quando congela a beleza e jovialidade de seu personagem Gray, na figura de um quadro. Sublime! O livro que 15 anos atrás, eu poderia ter dito (se fosse babaca): “Que lixo!” é uma das obras mais grandiosas que li entre todas, a quilômetros de distancia luz do grande Dostoiévski, em Crime e castigo, por exemplo, (um livro fascinante pela carga psicológica de culpa que carrega o protagonista assassino), porém, sem a genialidade e capricho de Wilde.
Falando ainda sobre os livros que reli, terminei o “Diário de um fescenino” do grande Rubem Fonseca, trabalho que avalio com a nota máxima! Outra vez, para meu espanto, esta grandiosa obra está mal avaliada pelos leitores do Skoob, (ok, gosto é gosto), mas será que a mesma foi depreciada devido ao linguajar do Rufus? O personagem ateu e fescenino, obsceno e um tanto imoral que se refere ao próprio membro sexual como: “pau duro”, ao sexo, como: “foda” e a ação de fazer amor com a palavra: “trepar”?? Sei lá!! As pessoas gostam de se chocar com o trivial. A gente fala a todo o momento: “Que foda!”, ou: “Foda-se!”, mas quando encontra as danadas em um livro, é como se levasse um tiro na bunda tapa na cara...
Outro livro que reli foi o da ninfomaníaca italiana: Melissa Panarello, a Lolita de 15 anos, que relatou suas experiências sexuais em um “diário” e o publicou aos quatro ventos, escandalizando seu país, o Vaticano e o mundofóbico, ao detalhar entre suas proezas: orgias, bacanal, homossexualismo, masoquismo... Parece putaria, (só para quem não consegue tirá-la da cabeça), mas não é! O gênero é um drama sensível, a busca do pseudo prazer, o reconhecimento de uma autoflagelação e o apelo pela descoberta de um verdadeiro amor. Eu fiquei encantada com essa obra com pouco mais de 100 páginas, do começo ao final, mesmo quando “ela dava e fodia”, e outra vez, não encontrei o tal “livro nojento” que alguns Skoobeiros documentaram. Tanto é assim, que lá estão as notas variantes e confronto de opiniões que vão do oito ao oitenta.
Curiosa, fui espiar o livro da Bruna Surfistinha, (esse eu não li porque não está à venda nos cafundós onde vivo). “O doce veneno do escorpião”, está marcado até o dia de hoje com: 6751 leituras (Skoob), a avaliação dele é péssima (entre 1 e 2 estrelas) e a opinião dos leitores: vazia! Cito como exemplo:
“Ai, que nojo, nunca vi tanto palavrão...”
“Dá pra se limpar no banheiro com ele...”
Todo leitor sabia desde o principio que a garota que o escreveu era prostituta, e não, escritora. Pagaram para ler o sexo praticado por ela, e não para encontrar uma obra de Machado de Assis (que nos dias atuais, não venderia)! O livro virou best-seller, estou certa que NÃO foi por seu conteúdo literário de primeira qualidade, mas SIM, porque vendeu que nem água! Todo mundo quis saber e pagar pra conhecer as histórias picantes de uma garota de programa, no entanto agora, os parvos escrevem lá, detonando o livro, mostrando-se castos e puritanos... Hipocrisia! E o segundo e terceiro livro da Raquel continuou vendendo por quê?? E foi para as telas do cinema por quê?? E o blog da Surfistinha é um dos mais visitados na internet, por quê? Tenho muitas dúvidas, já que segundo a opinião dos leitores, é pura baixaria e imoralidade. Disgusting! O mundo é louco por sexo, mas é covarde demais para assumir!
Como eu gosto de uma boa putaria, de sexo, violência e toda uma trama do escambau quando abro um livro, vou seguir o caminho com minha “meta de leitura” picante, e abrir: Lolita, do Vladimir Nabokov, o audacioso escritor que retratou a obsessão de um coroa por uma menina pubescente. Pedófilo, ele? Sei lá! Provavelmente! Mas eu li a sinopse e sei exatamente qual tema vou encontrar.
Essa é uma apologia aos livros com palavras, palavrões e ações politicamente incorretas em seu conteúdo, a queda das máscaras que leitores insistem em usar e uma critica aqueles que fazem mau uso do Skoob, um site até então, bacanérrimo.
Afirmo: você ainda pode dizer que um livro é bom e que gostou dele, mesmo sendo um manual de sexo, sem perder sua imagem intelectual! Também ao contrario, dizer que não gostou de um livro, explicando de forma racional os seus “porquês”.
Ao escrever, um autor deixa suor, essência e conhecimento, seja no frescor de uma única frase ou na ousadia de um pequeno trecho, para ser apreciado, vivido e desnudado por quem o lê.
Quer detonar um livro? Faça-o com responsabilidade e coerência! (Ao menos, finja saber sobre o que está falando!).


Entre em contato: litfanbr@gmail.com



4 comentários:

  1. LoooooooL!
    Tou chocado!
    hahahah!
    Podia ter citado O FÍSICO do Noah Gordon. O livro é lindo, mágico e... bem putinho... kkkk
    Tipo, sei lá. Não ligo para livros que citem sexo, putaria e talz.
    Só fiquei muito chocado com a série SENHORES DO MUNDO SUBTERRÂNEO da Gena Showalter, pq a porcaria do livro gira mais em torno de sexo do que de história, ao ler o primeiro livro eu me senti vendo um filme pornô e, visto pelo lado feminino, o que o tornava extremamente... gay.
    Por isso nem continuei a série quando vi que o segundo volume seguia esse estilo (É, era sempre a garota descrevendo o tamanho do Kct do cara, e... pô, mulheres talvez gostem, mas eu? Nem um pouco o.O).
    Quanto a futilidade das resenhas....
    Tem alguns CORNOS que nem ao menos lêem o livro, apenas marcam como ABANDONADO porque o dito cujo fala sobre vampiros, demônios ou qualquer outra coisa "infernal".
    Tem uns Vadiozinhos que "Mordidos de Inveja" do sucesso de alguns livros, não dão o braço a torcer e falam mal pra caramba!
    Um exemplo disso é a febre #AntiCrepúsculo que surgiu atualmente. Poxa! A autora já está PODRE DE RICA, e, o povo perder tempo falando mal do livro dela só server para criar mais IBOPE.
    Bom, chega de falar. AMEI O POST, hehe. Só tem um probleminha com a letra e o espaçamento, fica meio ruim pra ler, ainda mais algupem que acabou de acordar (tipo euzinho aque).
    Mas, o post está MARAVILHOSO!
    Renato Klisman
    http://rkbooks.wordpress.com

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  2. Você(s) é(são) simplesmente meigo(s/a/as)! O pior é constatar que isso acontece direto, a todo momento. Já me deparei com comentários ridículos sobre textos, que são feitos apenas baseados na opinião daqueles que se acham os melhores escritores do universo... Tipo de pensamento: "Se o grande 'Fulano' falouque é isso, então é isso."Mas não se preocupam em ler e analisar tais textos para verem se é isso realmente e quando o fazem já o fazem com uma bagagem enorme de preconceitos. Bom, está(ão) de parabéns pelas matérias. "Suporto a mentira, só não me peçam para perdoar a hipocrisia." (Marjory Tolentino)

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  3. GÊNIO!

    Você disse o que eu também venho dizendo há tempos, mas de forma muito mais aberta e menos temerosa. OBRIGADA por escrever esse blog. Neste post você disse piamente tudo o que eu penso sobre o assunto. (Aliás, todos os posts, de todos os colaboradores.)

    O Brasil é um país de gente hipócrita. Fato.

    E o que vocês contam aqui não se resume à liftan, mas falam dessa DOENÇA que se espalhou pelo meio literário. Continuem assim! Tem todo o meu apoio.

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  4. Obrigado pelas visitas, Lilian e Marjory.
    Realmente o mundo literário apodreceu de uns tempos para cá, em virtude da criação das panelinhas que se trancam em seu mundinho e tentam monopolizar os diversos gêneros literários.
    Nossa obrigação é abrir os olhos dos leitores e dos novos escritores. Dos primeiros, para que não empreguem seu suado dinheiro em obras desprezíveis, e dos segundos, para não se submeterem a essa panelinha escrota.

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