Literatura Fantástica Brasileira

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Diarreias mentais no mundo literário – Parte I




Por Geyme Lechner.


Para quem não sabe, os blogs literários se comprometem com a missão de promover, divulgar, apresentar e resenhar livros... Como eu gosto muito da proposta apresentada por eles, sempre que alguém me convida (ou encontro um link, dando sopa por aí), com determinado nome de livro ou autor, costumo ir até o lugar dar uma xeretada, tanto para conhecer a obra em voga quanto o “crítico” que discorre sobre ela.
Outro dia, passeando pelo Universo da blogosfera, topei com um “blog literário” muito esquisito. Nesse blog, o “critico” em questão, apresenta várias resenhas de livros que ele leu (ou pelo menos, acreditamos que leu). No perfil do cidadão, ele é um “viciado em livros” (a maioria deles têm esse perfil, quando não são “viciados em livros” são “leitores compulsivos”. Salvemos a falta de criatividade e os “méritos” de grandeza próprios!). Esse cara é culto, gosta de livros, fala e comenta sobre eles, acredita ser um crítico de envergadura, tem certeza que pode elevar ou destruir uma obra com apenas duas frases. Pois bem, o literato, usando o espaço que criou para atingir objetivos intelectuais de força maior, evacua sua diarreia mental, mais ou menos assim:
“Bem, todo mundo (quem é “todo mundo”?) sabe que eu odeio escritores nacionais (nós também o odiamos, amém!), mas resolvi abrir uma exceção...”.
O que vem a seguir referente a determinada obra brasileira, é até uma boa critica, mas com entrelinhas que nos deixam a conclusão de que o livro “Não foi tão ruim quanto ele esperava”. A resenha desse“crítico” é repleta de erros gramaticais, de concordância, de sintaxe, é fraca e pouco objetiva, mas peralá: O cara se acha o bambambã da opinião literária, mesmo tendo o energúmeno pouco mais de vinte anos, “odiando” literatura nacional, tendo em seu arquipélago erudito, obras como “Harry Potter” e “Crepúsculo” (avaliados como as melhores sagas dos últimos tempos). O cara sequer sabe escrever em sua própria língua, mas se acha no direito de criticar obras literárias. Ok, vou relevar a arrogância do incipiente... Tampouco vou emitir opinião, pois Harry Potter realmente é fantástico (mas “melhor saga dos últimos tempos??” parece uma “análise” barata. Meu sobrinho de oito anos tem a mesma “opinião”). Quanto a “Crepúsculo” melhor manter o silêncio...
“Non sense! É como eu chamo esse cidadão que se aventurou a fazer um blog literário... O cara é brasileiro, fez um blog no Brasil, não lê livros em outros idiomas que não sejam em português, mas ousa afirmar em sua diarreia mental que “odeia autores nacionais” e começa a resenha de um livro nacional, citando primeiramente seu desgosto “ao mundo”... Claro, nessa idade, o bocó está saturado de Machado de Assis e Graciliano Ramos, escreve baixo o efeito do trauma de ter acabado o segundo grau, enfrentando o pré-vestibular, junto com a leitura obrigatória de livros nacionais que os jovens não leriam jamais (se não fossem OBRIGATORIAS).
Tem muito escritor ruim no pedaço? Claro que tem! No Brasil e na Cochinchina! É a nacionalidade do escritor que faz uma obra ter qualidade? É por derrames cerebrais como esses, que é cada vez mais difícil para um autor nacional conquistar seu espaço nas grandes editoras brasileiras. As editoras conhecem o “preconceito” do leitor contra os autores do próprio país, temem empacar com a venda, não ter lucros exorbitantes, apenas prejuízos (exorbitantes), ao apostarem na nova cara da literatura nacional. Enquanto isso, as grandes editoras publicam apenas o que vem de fora, sendo esses “investimentos” na maioria das vezes, lixo literário, mas que vende como água, simplesmente porque o autor é internacional e o leitor brasileiro ama esse status!
Salvemos o país dos livros e nossos leitores rebuscados, viciados em livros, leitores compulsivos, politicamente e escancaradamente INTERNACIONAIS!

Entre em contato: litfanbr@gmail.com


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